A teologia da serpente

27,nov,2009 por Georges Nogueira
Deus não quer nem saber se você está pecando. Receeeeeebaaaaa!!!

Deus não quer nem saber se você está pecando. Receeeeeebaaaaa!!!

Karl Barth nos ensina que a teologia é um “falar a partir de Deus”. Atualmente, contudo, este precioso ensinamento se encontra totalmente esquecido, e vem mesmo sendo aplicado às avessas. Para a maioria, a teologia é tão somente um “falar de Deus” Através deste atalho, o caminho dos cães a que Paulo se refere em Fp 3.2 até o púlpito se encurta cada vez mais.

Neste contexto, a Bíblia nos mostra a primeira teologia divergente da Palavra de Deus ainda no livro de Gênesis.

A serpente, ao promover a separação entre Deus e o homem, propõe uma teologia imediatista, que lhe oferece uma coisa que seria boa, agradável e desejável (Gn 3.6). E seu trabalho assassino começa exatamente a partir da Palavra de Deus.

A serpente não disse para Eva: “Ei, esse seu Deus é um mentiroso egoísta!”. Não, tal postura com certeza assustaria e afastaria a varoa de si. Ao contrário, a serpente começa seu colóquio amável e suavemente: “É assim que Deus disse” (Gn 3.1).

A mulher não poderia jamais alegar que desconhecia a verdade Divina. Deus já havia lhes revelado que morreriam (Gn 2.16-17). Ao ser interrogada pela astuta serpente, a mulher demonstrou que conhecia a Verdade, pois repetira exatamente o que Deus lhe havia dito acerca daquela árvore (Gn 3.2-3).

Neste ponto, a serpente apresenta à mulher uma nova teologia (Gn 3.4-5). Nesta teologia da serpente, não havia restrições. Ela poderia fazer o que Deus lhe proibira. E melhor ainda: ela se tornaria igual a Deus. Se tornar igual a Deus significa poder ocupar o lugar que Deus ocupa. O lugar que Jesus ocupa que é o centro do Evangelho. O centro do altar. O centro das atenções.

O que a serpente ofereceu à mulher foi a possibilidade de trocar uma existência teocêntrica/cristocêntrica por uma muito mais “agradável” e “desejável” que seria a existência antropocêntrica.

Ora, naquele lugar, o homem tinha intimidade com Deus, pois fora criado à imagem e semelhança Deste, para que pudesse com Ele viver eternamente. O homem, até então, andava com Deus na viração do dia (Gn 3.8).

O que aconteceu então à mulher para que ela fosse enganada? Ela cometeu o mesmo pecado da rebeldia que satanás havia cometido anteriormente. Ao acreditar que poderia ser como Deus, a mulher ignorou o que o próprio Deus lhe havia revelado. E assim caímos todos.

No momento exato em que uma nova teologia nos é oferecida, e, movidos por nossos interesses pessoais nós permitimos que Jesus deixe de ser o centro absoluto do Evangelho, nós caímos. No momento exato em que nós recebemos uma nova teologia diferente da que Deus nos revelou nas Escrituras, nós morremos.

Se a mulher tivesse analisado suas próprias palavras que acabara de pronunciar, teria resistido ao engano da serpente, e esta teria que se ver sozinha com Deus. Mas assim como nos tempos do Éden, nós queremos experimentar o proibido. Afinal, desta forma somos “livres” de seguir a Palavra de Deus.

As novas teologias que nos oferecem são sempre “boas” e “agradáveis”. As teologias que nos dizem exatamente o que queremos ouvir e que “certamente não morreremos”, nos seduzem ao ponto de fazer com que nos esqueçamos das Palavras de Deus, e nos cegam para o perigo que está à nossa frente.

Quando a serpente disse à mulher que certamente “esta não morreria”, não foi questionada. Mas quem era a serpente? Seria ela comparável ao Todo Poderoso Criador de tudo o que há? Com certeza não. Mas a mulher não se preocupou com isso. Antes, sucumbiu à concupiscência da carne, à concupiscência dos olhos e à soberba da vida (1Jo 2.16).

Peço a cada leitor deste blog que agora faça um exercício comigo: Imaginem se dos lábios da mulher tivessem saído, ante a oferta da serpente, as palavras de Simão Pedro (Jo 6.68), e teríamos o trecho que segue:

“Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal. Respondeu-lhe, pois, a mulher: Para quem iremos nós? Somente o Senhor Deus tens as palavras da vida eterna. E, acabando o diabo toda a tentação, ausentou-se dela por algum tempo.”

A conclusão deste trecho, com o diabo se retirando (Lc 4.13) é a conclusão que sempre se dá quando se resiste às tentações oferecidas pelas novas teologias com a Revelação de Deus. É importante notar que Jesus, ao dar-nos o exemplo de como resistir às tentações, repete claramente em todas as ocasiões que “está escrito” (Lc 4.4; 4.8; 4.10).

Assim deveria ter reagido Eva: “Dona serpente, muito obrigada, mas, se Deus disse que eu vou morrer se eu comer desta árvore é por que eu vou morrer.”

A atitude de Eva, ao culpar a serpente e depois a de Adão ao culpar a mulher e em última análise até mesmo a Deus pela queda (“a mulher que tu me deste”), eram desculpas tão esfarrapadas quanto as que temos hoje para justificar o fato de darmos mais atenção a algumas teologias “da hora” que nos são muito mais prazerosas de seguir.

A consequência pelas escolhas que ambos fizeram, todos conhecemos (e juntos pagamos) ainda nos dias de hoje.

Deixo a cada um de vocês a pergunta: como você tem recebido as novas teologias que lhe oferecem?

Nos próximos artigos, vamos comparar algumas das novas teologias que a serpente vem nos oferecendo com a Revelação da Palavra de Deus. Se Deus assim o permitir.

Sola Scriptura, Solus Christus, Soli Deo Gloria!

6 Comentários para " A teologia da serpente "

  1. Glemerson Alves disse:

    Irmão Georges Graça e Paz.

    Meu irmão como o conhecimento esta sendo banalizado a troco de algumas moedas de prata, a troca do Evangelho absoluto, por uma outra noticia que é boa apenas para aqueles que por meio da Verdade Absoluta estão a desvalorizar a essência verdadeira das boas novas, da boa noticia que partiu de Cristo nosso mestre.

    Trocas e escolhas, condições que temos, mas que nas mãos de alguns se tornaram armas perigosas, usurparam do Evangelho, ai me lembro das palavras do Rev. Valdeci Santos quanto a outro evangelho, o heteros, um outro diferente, não semelhante daquele que o Mestre nos deixou.

    Serpentes estão livres para com seu veneno, que parte de um desejo pessoal e triunfalista, lançar sobre pessoas que não entendem nada do Verdadeiro Evangelho, que não julgam o que ouvem, a pratica de Beréia some nestes serpentários. livres nas emissoras, nos púlpitos, nos cultos ecumênicos, na cópia física de astro americanos.

    O Evangelho merece respeito, e “AI”, daqueles que brincam com a Palavra do Mestre. Serpentes que conhecemos, e que até hoje crucifica a Mensagem, deram a ela uma capa, uma idumentária recheada de ouro, onde o “dedo de Deus” esta apontando para um evangelho envolto de religiodide medíocre e sem valor humano, o “Cara lá de Roma” o usurpador, sabe muito bem que é mais um dos que do seu troninho oferece até hoje a morte em forma de fruto de vida usurpando assim da Verdade.
    Grande abraço.
    Deus abençoe a você e sua casa.

  2. José Ricardo disse:

    Caríssimo senhor dono desse blog, sou católico e professor num curso de Ciências da Religião numa universidade pública, onde acompanho monografias de católicos, protestantes de diversas denominações (infelizmente nenhum neopentecostal está matriculado), islâmicos, judeus e membros do culto afro-amerindígena.
    Pois bem, não posso me considerar um leigo no aspecto de doutrinas, Escrituras e História das Religiões. Portanto, gostaria que tivesse um pouco de prudência em suas postagens ao tratar do culto alheio.
    Só venho a esse espaço por dois motivos: primeiro, a censura no campo virtual ainda é bem restrita; segundo, eu não pedi para receber mensagens desse blog, ele veio enviado da parte sua ou de seus leitores.
    Como a leitura do blog é aberta a todas as pessoas, todas as raças e todos os credos, gostaria que respeitasse a diversidade religiosa em suas palavras ásperas e, por vezes, repleta de azedume cristão. Além de ler e viver as Escrituras, não se esqueça de ler e viver a Constituição Nacional.
    Tente buscar o que nos une e não atirar no próximo a sua verdade. A democracia, nesse país, paira inclusive sobre os espaços virtuais e esse é um desses espaços a ser conquistado por todos. Se criou um blog público, tem de saber que será visto e comentados por todos que o quiserem assim fazer.
    Sem mais,
    Professor Doutor em Teologia Dogmática,
    José Ricardo Vidal Dias

    • Excelentíssimo Senhor Doutor Professor Autoridade Dogmática Católica José Ricardo:

      Respondendo ao seu comentário, começo por lhe informar que não sou neopentecostal, e por isso mesmo não entendi seu comentário a respeito destes.
      Com relação ao seu conhecimento sobre religiões, quero lhe informar que não trato de religião neste blog. Trato da Palavra de Deus.
      Com relação ao “culto alheio”, não entendi ainda no que o assunto tratado neste post em específico se refira a algum deles. Mas como lhe disse anteriormente, não me importam os “cultos alheios” neste blog eu prego a Palavra de Deus. A Boa Nova do Evangelho.
      Com relação a censura, de minha parte nunca censurei ninguém. Prova disso é que seu comentário foi aprovado e publicado. E graças a Deus o Sr. também não tem o poder de me censurar.
      Sobre algum dos leitores do blog ter lhe enviado os posts, o sr. pode ter a mais absoluta certeza de que se assim algum deles fez foi na intenção de lhe levar a sã doutrina. Não posso proibir aos leitores do blog que o divulguem. Ao contrário, sou grato aos que assim o fazem.
      Com relação a respeitar o que o sr. chama de “diversidade religiosa”, mais uma vez o Sr. se engana ao avaliar este blog a partir da sua premissa. Pela terceira vez lhe afirmo: aqui NÃO trato de religiões.
      Assim como a leitura do blog é aberta, ela é livre. Lê quem quer. Caso alguém o tenha obrigado em algum momento a ler o que escrevi aqui, ou de alguma forma lhe coagido a isso se utilizando de força ou qualquer outro artifício, sugiro que o sr. procure o ministério público e denuncie, no que lhe sou totalmente solidário.
      Com relação à constituição, não vou lhe apresentar credenciais, como o sr. fez, porque considero esta uma atitude arrogante. Mas saiba o sr. que em minha casa todos vivemos do Direito. Não somente eu que vivo do Direito e sou filho de advogado, mas também minha esposa se encontra na mesma situação: é advogada e filha de advogado.
      A propósito do desconhecimento que o sr. demonstra a respeito das leis, vou lhe fornecer uma consulta jurídica gratuita:
      A Constituição Federal, em seu Artigo quinto, trata de alguns direitos e garantias fundamentais a todos os cidadãos.
      Em seu inciso IV, determina: “É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.” (in verbis).
      Em seu inciso VI, o mesmo artigo da Carta Magna determina: “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias”.

      Conforme o Sr. pode ver, o texto da constituição que o sr. utiliza para tentar, veladamente, me intimidar, é exatamente o que me assegura o direito soberano de dizer o que penso sobre todas as teologias inspiradas pela serpente.
      Sinceramente, Sr. Dr., pela sua reação ao texto que escrevi, vejo que não há nada que nos una. Com relação à verdade, não a atiro em ninguém. Como já lhe disse antes, lê quem quer.
      O conceito de democracia, que o sr. dr. enxerga de forma distorcida (ou distorce de propósito?),é justamente o que diz que eu posso escrever o que eu bem entender no meu blog, e, ao contrário do que o sr. afirma, este blog não é público. É privado, visto que eu paguei pela reserva e pela utilização deste domínio, assim como pago o provedor que hospeda meu conteúdo. Aconselho que caso o sr. queira continuar distribuindo conselhos jurídicos, o senhor procure estudá-los como estudou os “dogmas religiosos” nos quais afirma ser doutor.
      Quanto aos que querem ver e comentar o blog, e isto inclui o sr., que sintam-se sempre à vontade para isto. O que dá o direito a todos de comentarem livremente, é exatamente o que me dá o direito de responder como eu quiser.
      Como este espaço é, de fato, democrático, o sr. será sempre bem vindo aqui, e sempre que julgar necessário, responderei aos seus comentários.
      Aqui só não permitimos os comentários com palavras de baixo calão, ou que possam injuriar a alguém. De resto, todas as opiniões, por mais divergentes, absurdas ou equivocadas que sejam, serão sempre publicadas.
      Passar bem, Sapientíssimo Senhor Doutor Professor!

      Sem mais,
      Trapo de imundície chamado para servir ao Deus Único,
      Georges Nogueira.
      Que Jesus o abençoe fartamente.

  3. Cynthia disse:

    Quanto ao comentário acima, a respeito do que disse o Sr. José Ricardo, tecerei algumas considerações:

    A priori, a cada um cabe discenir e definir o que bem lhe aprouver em termos de crença. Posso, enquanto pessoa, aceitar uma doutrina e repudiar a outra, sem que isso ofenda ou represente preconceito a quem quer que seja. Dentro dos padrões acadêmicos, as verdades absolutas de fé se encontram intagíveis, porque como o são (e como se define em todas as esferas que a fé é a crença no que não se vê) não cabe a razão da limitação humana e portanto implausíveis de serem quantificadas ou qualificadas sobre o que pode ser definido como certo.
    Aliás, posso eu ser cerceada e criticada na minha crença em um Deus único e soberano, mas não posso discordar de quem crê e divide sua crença em deuses múltiplos?
    O SR. evoca a democracia, questiono -lhe: qual?
    A democracia que me impõe sua irresignação com a minha discordância, mas não tolera a minha diferença em não crer como você?
    Por certo, o Sr. que fez questão de demonstrar tanta erudição ao nomear seus títulos acadêmicos, esqueceu de verificar no seu trajeto de aprendizado o que de fato representa a democracia, em seu conceito e seu contexto. Aliás, só para relembrá-lo um dos princípios basilares de democracia, A LIBERDADE, implica inclusive em que eu possa dizer o que quiser e de quem quiser, e que se caso eu provoque dano, agindo levianamente (e para isso a lei é muito específica sobre os limites da leviandade) devo eu ser impelida a restituir o mal causado, MAS NUNCA, JAMAIS, desistir do que eu acredito ou mudar meu pensamento, porque aí quem seria vítima de um totalitarismo seria eu!
    O SR. pode até obter títulos diversos e com isso produzir uma bagagem acadêmica, mas quando se tratar de vivência, experiência com Deus, os títulos todos que se puder acumular, serão ínfimos e desnecessários, até porque para experimentar mais de Deus o essencial é se esvaziar de si mesmo e se encher Dele. Os títulos e posições são nada. O eu, quem sou, o que faço ou que promova para me tornar melhor só terão validade se forem antes de tudo em submissão, servidão a Ele, em benefício da melhoria de minha relação com Ele.
    Desculpe-me, mas a aceitação de outros credos somente vai até o limite de que não posso ofendê-los, injuriá-los, caluniá-los (e o conceito jurídico em ambas as figuras delituosas é específico) agrdedí-los (isto além de crime vai contra quem serve a Deus).
    Para o Sr. Dr. que disse conhecer tanto as religiões, deixo alguns versículos das epístolas de Paulo. homem de Deus, que deixou tudo, títulos e cidadania importante para servir a Cristo e morrer uma morte vergonhosa, indigna para um Dr. perante os homens:

    “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.” 1 Corinthios 1:18

    “Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.” 1 Corinthios 1:21

    “Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.” 1 Corinthios 1:25

    “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” 1 Corinthios 2:14

    PS: Caro Sr. Dr, a mim, que não sou ignorante a luz dos homens, aprouve ser humilde e inculta nas concepções de Deus e ser por Ele transformada contínua e diariamente, para que então entendesse que a minha vida jazia na maldade e na perdição e então, me sentindo nada, encontrei um Deus supremo que a tudo renova e restaura e o que antes era já não me importa, porque que o que hoje sou, somente o sou por Ele e para Ele e nada mais me importa, nem mesmo o conceito do que é insano ou incerto para os homens.

    Em Cristo Jesus, para que a luz também o alcance,

    Dra. Cynthia do Carmo Araújo Santana Martins Nogueira
    Advogada, Especialista em Direito Tributário, Especialista em Direito Civil e Processual Civil, Mestre em Direito Internacional, Professora e Palestrante.

  4. GETULIO ALVES disse:

    OLÁ !! TENHO ACOMPANHADO ALGUNS ARTIGOS DESSE BLOG RECENTEMENTE E GOSTEI MUITO DO EQUILÍBRIO, DEMOCRACIA E ESPIRITUALIDADE DO Sr. GEORGE NOGUEIRA, PRINCIPALMENTE DA ELEGÂNCIA EM QUE RESPONDEU AO SR. JOSÉ RICARDO VIDAL DIAS. AUMENTOU A MINHA FELICIDADE EM SABER QUE ESTE BLOG É CONTRA A ARROGÃNCIA, E MUITISSIMO A FAVOR DA GRANDEZA E SIMPLICIDADE DO EVANGELHO DE CRISTO. MEUS SINCEROS PARABENS.

    GETUILIO ALVES
    Servo do Deus Altíssimo
    Salvador-Ba.

  5. Caro Getúlio:
    É sempre uma alegria poder servir de alguma forma aos irmãos.

    Seja sempre bem vindo ao blog!

    Em Cristo,
    Georges Nogueira.


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