Debates inúteis

07,ago,2011 por Georges Nogueira

bate-boca cristão

 

Nos últimos anos, tenho acompanhado infinitas e infrutíferas discussões acerca de temas como salvação, eleição, teologia, soberania divina e outras coisas igualmente complexas e erroneamente tratadas. Confesso que participei de muitas dessas discussões e até mesmo as incentivei durante certo tempo, até perceber a gravidade e a inutilidade de tais debates.

Durante essas contendas todas vi calvinistas, ateus, católicos, adventistas e todo tipo de herege fundamentando todo tipo de absurdo na Bíblia. Todos eles tinham a mais absoluta certeza de que sua posição é que salvaria o mundo.

Como nas discussões sobre futebol, na grande maioria das vezes um torcedor fanático ofendia o outro e vice-versa, e nada de produtivo, quem diria cristão, surgia desses embates. Noutras, na medida em que os contendores se mostravam mais cínicos e/ou mais falsos, cada velhaco mantinha a mesmíssima visão deturpada demonstrada desde o início, sequer considerando ouvir o argumento do outro. Cansei-me de tudo isso.

Ao final de todas essas discussões, de todos os pseudo-intelectuais e falsos cristãos que encontrei, restou-me a angústia de ver que nenhum desses debates era realmente cristocêntrico. Muito embora as pessoas estivessem falando sobre Deus (ou deuses, tamanha a discrepância entre suas “teologias” e a Palavra de Deus revelada na Bíblia), no centro do debate estavam sempre suas tradições, seus interesses pessoais, seus times/igrejas/doutrinas do coração.

Senti, em todas essas experiências um vazio muito grande de Deus, nas discussões e nas pessoas. Esse é o panorama das grandes questões teológicas que vi hoje em dia: as pessoas que mais acreditam estar certas acima de qualquer coisa a respeito de Deus são justamente as que menos agem conforme o exemplo deixado pelo Cristo que alegam conhecer mais e melhor.

Enoja-me ver um bando de barrigudos discutindo Deus pela internet e pelos meios acadêmicos, sem que tenham nenhuma vivência cristã de fato, sem que tenham o comportamento que o Filho do Homem exigiu de todos aqueles a quem salvou. Gente preguiçosa e presunçosa que sabe de tudo, mas que luta até à morte para não ter de arregaçar as mangas. Gente arrogante e sem caridade, sem nenhum amor cristão, sem compaixão pelo próximo, incapaz de doar ou se doar pela causa do Evangelho. Gente que nunca sentiu o ardor missionário, mas que realizam “conferências missionárias” apenas no intuito de dar uma “satisfação social” ao público.

Como Deus é um Senhor infinitamente misericordioso, pude aproveitar dessas experiências o conhecimento travado com o cinismo do qual são capazes alguns que me chamavam de irmãos. Principalmente os que mercadejam a fé alheia, e deixam de praticar o Evangelho, justamente porque recebem salários polpudos de suas igrejas, e para não perderem a renda, comportam-se como cães que não podem se afastar de seus territórios, nem largar o osso, a despeito das multidões famintas que morrem sem Deus, às quais eles poderiam levar o alimento físico e espiritual, não estivessem tão amarrados em seus salários e abonos.

Senti falta de enxergar Deus nas atitudes e no discurso dessa gente, e por isso mesmo estou pedindo a Deus que não permita que eu permaneça como eles. Que eu consiga mudar minhas atitudes, e meu discurso.

Esse é um momento propício para anunciar, no blog, uma nova série de artigos, mais doxológicos, mais dogmáticos, mais teocêntricos e cristocêntricos.

Minha oração é que eu possa, de fato, mudar minha vida e minha conduta, imitando o Senhor da minha Salvação, e que esses próximos textos possam transmitir um pouco do Deus de infinita bondade e misericórdia, que, mesmo sistematicamente insultado e agredido por nossa multidão de pecados, não deseja que ninguém se perca. Que o Senhor me capacite para isso.

6 Comentários para " Debates inúteis "

  1. João Carlos Ferreira Batista disse:

    Georges, Legal!
    não que eu seja mais experto (risos), mais eu sempre achei esses debates inúteis, além do mais, como você mesmo mencionou em seu texto, a discussão ou debate, sempre é levada para o lado pessoal, rola ofensa, etc…
    estou de pleno acordo com esse texto.

    Paz do Senhor a todos.

  2. Cynthia Nogueira disse:

    No seu cansaço, estranhou me faltar este cansaço sobre a inutilidades das discussões pessoais. Em outra oportunidade (e em diversas outras pessoalmente) já havia dito que não me interessava pelas teorias teológicas, Nunca acreditei nessas discussões onde portadores de mensagens humanas creditam a Deus a validade delas. Talvez eu seja simplória, mas para mim a Bíblia é mais simples e menos complicada do que se tenta fazer dela.
    Espero que estes textos mais cristãos possam mover menos intelectos e mais corações.
    Cansei de crente de internet e ar condicionado !!!

  3. Deisi disse:

    Amém!! Ás vezes por sabemos muito da bíblia e porque já tivemos uma experiência com Deus, agimos e pensamos coisas que ao nosso ver estão certos. Porém agente não ver que estamos decaindos na nossa vida espiritual e nos afastando de Deus mesmo falando sobre ele.
    Mas o nosso Deus é lindo, meu irmão! Glória a Deus!!
    Que nos faz ver verdadeiramente o nosso foco!
    Deus te abençoe!

    Acompanho o seu blog a 1 ano e meio!

    • Obrigado pela paciência, Deisi!

      • Cleber disse:

        Olá Georges Nogueira. Acompanho o Blog a mais de um ano e, até me aventurei a participar de alguns temas.
        Por vezes me via seduzido pelo conhecimento das linhas teológicas, mas, por vezes percebia certo furor nas palavras dos debatedores; Isso me causava estranheza pois servimos o mesmo Deus.
        Acabei me ausentando por razões familiares, mas aos poucos tento me reaproximar.
        Me vejo mais afeto a esta forma de debate.
        Teologia tem linhas e defensores. Teologia apenas como ciência tem seu lugar na cátedra, serve para colocar os fundamentos científicos e formar o teólogo. Mas, creio que se tentarmos pautar nossa vida numa visão de Deus baseada apenas na teologia pura, podemos nos aproximar muito de uma religiosidade.
        Penso que nascemos pela fé em Deus, na pessoa de Jesus Cristo. Desse encontro: Deus com o nosso vazio existencial, nasce uma certeza de que Cristo é o sufisciente; só depois é que vem a teologia.
        Se nos apegarmos a teologia e esquecermos a isto que por vezes é denominado “primeiro amor”, então perdemos tudo.
        Por outro lado, tenho muitas ressalvas de onde uma espiritualidade sem bases teológicas sólidas podem nos conduzir, pois, se tiramos a Palavra, vamos ter a pretensão de colocar o que bem entender e “tudo em nome de Deus”.
        Gostaria de ouvir os amigos do forum e compartilhar sobre essa visão.
        Teologia pura resulta em formar um religioso
        Ausência total de teologia, ainda que muito espirituais, nos expõe a sermos manipulados em nome de Deus.
        Logo, ah que se falar de um equilíbrio de: Fé – Conhecimento – Amor


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