O espetáculo inimigo da Palavra

05,nov,2009 por Georges Nogueira
Alô criançada! O circo chegou!

Alô criançada! O circo chegou!

“Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão.” (1 Tm 6.9-11).

O espetáculo é uma das maiores armas do Sãtã (acusador, adversário em hebraico). Desde a queda do homem, a sutileza do espetáculo, do sobrenatural chinfrim, da mágica e da mandinga tem afastado o homem de Deus. A Sã doutrina do Evangelho é a única defesa contra esse mal.

Desde os tempos de Moisés, quando os mágicos de Faraó reproduziram os sinais que Moisés havia feito (Ex 7.10-12), a mesma forma de promover o espetáculo em oposição à Palavra de Deus tem sido usada da mesma forma até os dias atuais.

Posso afirmar sem medo de errar que uma das intenções do satã (adversário, acusador) ao tentar a Jesus foi a de ridicularizar o Salvador e banalizar sua obra:

“Então, o tentador, aproximando-se, lhe disse: Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães. Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.”(Mt 4.3-4).

A mensagem de então continua atualíssima. O tentador busca levar Jesus a abandonar a Palavra de Deus e optar pelo sobrenatural escrachado. Pelo Espetáculo. O acusador sabia bem com quem estava falando, afinal, ele tentou ao longo da história impedir que Jesus cumprisse as Escrituras antes mesmo de seu nascimento, tentando perverter toda a linhagem de Davi. Não tinha nenhuma dúvida de que estava diante do filho unigênito de Deus. Mas se o inimigo acredita que há uma possibilidade mesmo que remota de obter sucesso, lá está ele. Já que Jesus era homem, porque não tentar sua vaidade?

Jesus lhe respondeu com a Palavra do Senhor. Ora, mesmo que pudesse ali transformar as pedras em pães imediatamente, não convinha que fizesse a vontade de satanás, lhe proporcionando aquele espetáculo.

Ainda hoje o acusador cumpre sua missão. Tenta, engana, ilude, desafia o povo de Deus a provar que realmente é povo de Deus, sugerindo que deixem de lado a Palavra de Deus para viverem de espetáculo. Essa sugestão sutil de transformar o Evangelho em um verdadeiro circo permeia o mundo maligno em que vivemos. Esse um dos muitos motivos de toda a palhaçada que se vê em alguns púlpitos hoje em dia. Homens fracos na fé, vaidosos, que procuram sempre uma nova estratégia para atrair mais e mais pessoas para suas portas, mesmo que isso implique em perverter o Evangelho.

Ainda tentando a Jesus, o mesmo acusador lhe propõe riqueza e glória:

“Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto.” (Mt 4.8-10).

Jesus, evidentemente não aceitou abandonar a Deus para ganhar toda aquela riqueza facilmente. Sendo homem, não quis abandonar a sua cruz, para se encher de toda a riqueza que Satanás.

Lamentavelmente, através dos tempos o que temos visto por parte daqueles que se dizem “servos do Senhor” é exatamente o contrário. Quando a Igreja crescia em dinamismo e se espalhava pelo mundo, muito facilmente a maioria daqueles que dirigiam as igrejas resolveu se unir para usufruir das benesses e das riquezas do império romano, que à troca de se imiscuir nos assuntos doutrinários de uma igreja recém unificada começou a patrocinar a reconstrução dos templos e a sustentar seus bispos e presbíteros. Essa mesma igreja, muitos séculos depois, em sua sanha para amealhar mais e mais riquezas e ainda de mãos dadas com os reis da época iniciaria venda do perdão dos pecados, tornando inútil o sacrifício de Jesus na cruz.

Hoje em dia, quantos não são os que vendem seus ministérios e suas vidas abandonando completamente a vontade de Deus e ainda assim se dizendo “emissários de sua verdade”? Quantos não temos visto que se apostataram da fé em busca de fama e fortuna? Sujeitos que poderiam ter um ministério abençoador, mas pervertem a palavra com macaquices e meninices de todos os tipos porque assim conseguem atrair mais pessoas para as suas esquisitices. Quantos verdadeiros adoradores deixaram de lado o louvor porque encontraram mais proveito em se tornar cantores famosos e não se imaginam mais vivendo sem a idolatria dos pobres que os seguem? Quantas pessoas não estão sendo afastadas de Deus e lançadas fora porque alimentam verdadeira idolatria por esses astros, mesmo ao custo de se fastarem de Deus atrás destes verdadeiros “ídolos de pés de barro”?

Quando vejo os shows abarrotados de gente que cegamente segue a seus ídolos, não consigo afastar a imagem do flautista de Hamelin, do famoso conto dos irmãos Grimm. Assim como os ratos do conto, estes pobres cristãos iludidos por seus ídolos, seguem sua música hipnotizados, rumando para a morte certa afogados no rio de lama do qual Jesus já os havia resgatado.

Minha oração é para que mais e mais pessoas abram seus olhos e vigiem, não se deixando enganar por estes que outrora chamávamos de irmãos, mas que venderam sua fé e sua salvação em troco de tesouros perecíveis e da fama passageira. Que Deus continue infinitamente misericordioso para conosco!

4 Comentários para " O espetáculo inimigo da Palavra "

  1. Hoje em dia se você ligar a televisão às 06:00 hs da manhã, lá está um ou dois canais trazendo a palavra de Deus, se você ligar ao meio dia idem, se você ligar as 15:00 hs idem, se você ligar as 21:00 hs idem, ou seja, a qualquer hora do dia ou da noite que você ligar a televisão, tem um canal com alguem pregando a palavra. Agora por que essas pregações não estão fazendo diferença? Simplesmente porque eles esqueceram da mensagem da Cruz de Cristo. Hoje você não houve pregar mais sobre o pecado, mas sim sobre prosperidade.
    Hoje as pessoas tratam Deus como um garçom, eles fazem os seus pedidos e Ele tem que atendê-los.
    Hoje a igreja não é mais de Jesus Cristo e sim do pastor A, B ou C, que só pensa em status. Antes em uma apresentação verbal ou escrita de um pastor, anunciava ou então se escrevia: Pr. João…, hoje se anuncia ou se escreve Pr.Dr.PHD…João, ou seja, a preocupação de hoje é com o título ou status.
    Em quanto isso, a verdadeira palavra está sendo deixada de lado, o que é muito triste.

    • Caro Guilherme:
      A idéia é exatamente esta. Agora nos falta apontar alternativas e partir para a ação em nossas Igrejas. Denunciar já denunciamos. Mas o espírito é exatamente este que você demonstrou em seu comentário.

  2. Terezinha Maria disse:

    A mensagem do Senhor Jesus é: “Negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me!” Quem realmente segue Jesus, se torna Seu servo, e tem o prazer de ver que nada se compara nessa terra, à visão da Sua Presença. O apóstolo Paulo disse em Filip.3:8-11 “E, na verdade, tenho também por PERDA todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem sofri a perda de todas essas coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo…”
    abços NELE

  3. Glemerson Alves disse:

    Meus caros irmãos, leiam também. A Ilusão do Astro e a Verdade de Deus. neste blog, e estou também preocupado com aqueles que se tornaram referências em nossa nação ao que se diz respeito ao meio “gospel”, Qual é o desejo dos “neo-novos-cristãos”, chego a acreditar que estamos novamente na plenitude dos tempos, muitos estão deixando o verdadeiro sentido da Palavra por meros bocados adicionados a ferrugem desprezível da ignorância teológica, o poder de Deus é o Seu Puro Evangelho que nos condiciona a uma existência favorável e conformada em tão somente viver para agradá-lo, e não que Sua existência seja para me acrecentar lentilhas. O Evangelho não precisa de nada novo…
    E como já disse Pr. Shedd ” A cruz de Cristo é o não de Deus para teologia da prosperidade”.
    Sola Scriptura…
    Deus seja louvado…


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