Por que as tragédias acontecem?

13,mar,2011 por Olivar Alves Pereira

Tsunami no Japão (foto: Mainichi Shimbun/ Reuters)

 

Nesta semana fomos informados pelos meios de comunicação sobre mais uma tragédia ambiental ocorrida no Japão. Segundo informações este foi o maior terremoto registrado no Japão desde que os terremotos passaram a ser monitorados, atingido 8,9 graus de magnitude.

No começo desse ano vimos a região serrana do Rio de Janeiro ser devastada por deslizamento de terra das encostas destruindo cidades e matando centenas de pessoas. Poderíamos ficar aqui contando as tragédias, mas creio que essas duas já são o suficiente para levantarmos uma questão muito pertinente: Por que as tragédias acontecem?

Responderemos a essa questão com base em três argumentos embasados nos respectivos textos bíblicos. As tragédias acontecem:

1 – Por causa do pecado (Rm 8.18-22).

Ao criar o universo e tudo o que nele existe, Deus não pretendia que o mesmo passasse por tantas calamidades e tragédias. A Criação era toda harmônica, perfeita e obedecia as leis naturais estipuladas por Deus para a própria  manutenção dessa Criação. Deus formou o homem e a mulher e deu a ambos o livre arbítrio, o qual era a capacidade de fazer escolhas e tomar decisões sem qualquer interferência do pecado (coisa que até então não existia no Jardim de Deus).

Nesse livre arbítrio que Deus deu ao homem, estava também a possibilidade do mesmo cair no pecado – coisa que de fato aconteceu – e uma vez tendo caído no pecado, o homem se tornaria (como se tornou) escravo do pecado, não tendo mais o livre arbítrio, haja vista que sua vontade agora passou a ser escrava do pecado. Uma vez que o homem e a mulher pecaram, foram expulsos do Jardim de Deus, e,  desde então, toda a criação foi submetida “não voluntariamente” (v.20) à vaidade, ou seja, ao pecado do homem. Desde então, a humanidade passou por diversas formas de julgamento, e o primeiro deles registrado nas Escrituras é o dilúvio. Não sou geólogo para falar com precisão sobre o assunto, mas, posso afirmar que um dia toda a massa de terrestre foi o que é conhecido como “Pangeia”, e,que, com o dilúvio ocorreu a separação dos continentes.

As placas tectônicas que estão até hoje se deslocando começaram suas atividades lá no dilúvio. Mas, esse não é o ponto central da nossa discussão aqui, e sim o fato de que a Criação foi submetida a uma condição deplorável após a entrada do pecado no mundo:  tragédias, morte, doenças, sofrimento, tudo isso é resultado do pecado do homem.

Numa primeira análise podemos dizer que o homem é o grande culpado disso tudo. Por causa da ganância e vaidade do homem, ele continua explorando indevidamente a natureza, destruindo a criação, alterando drasticamente a natureza ao seu redor, e como a natureza foi feita para obedecer às leis que Deus estabeleceu, vemos as enchentes como resultado da ocupação indevida das encostas, deslizamentos de terra como resultado da ocupação indevida de tais áreas, só porque os homens querem ter suas casas na montanha, ou porque é o único lugar que eles conseguem comprar, porque nos lugares próprios para se construir o preço é exorbitante por causa da ganância de outros.

Doenças das quais nunca ouvíramos falar, agora estão presentes porque o homem ganancioso invadiu as florestas e as destruiu. Por tudo isso, a criação com grande expectativa “aguarda a revelação dos filhos de Deus (…) na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora” (v.19-22).

2 – Para nos mostrar que somos peregrinos (1Pe 2.11-12; Cl 3.1-4)

O que esses dois textos têm em comum? E o quê eles têm a ver com as tragédias e sofrimentos dos homens? Primeiramente, vejamos o que diz o texto de 1Pe 2.11,12. O apóstolo Pedro nos chama de “peregrinos e forasteiros”. Um peregrino e forasteiro é alguém que está “de passagem” em um lugar, um viajante, um transeunte. Pedro diz que o lugar da nossa peregrinação é esta vida neste mundo. Um peregrino carrega em sua bagagem selos e outras coisas que o identificam com sua terra. E é justamente isso que Pedro está dizendo aqui a nosso respeito. Temos um selo sobre nós (o Espírito Santo), temos uma conduta que nos identifica com a nossa pátria (uma vida santa, porque o nosso Deus e a nossa pátria celestial são santos). Com esta figura em mente, Pedro nos mostra que devemos nos comportar como cidadãos dos céus que estão de passagem neste mundo. Nosso lugar não é aqui, não pertencemos a esse mundo. E justamente por não pertencermos a esse mundo, esse mundo nos odeia (Jo 15.19; 1Jo 3.13; Jo 15.18).

O mundo odeia os crentes, odeia o comportamento dos crentes verdadeiros quando estes se abstêm “das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma” (v.11), quando os crentes verdadeiros mantém um comportamento “exemplar no meio dos gentios…” (v.12). Diante disso tudo, concluímos que o mundo é um lugar hostil para o crente viver. Nada neste mundo deve nos encantar, distrair e muito menos nos prender. Um crente que se deixa prender pelos encantos desse mundo é igual a um peregrino que se encantou com uma pátria que não é sua e se esqueceu de suas origens. As tragédias nos assustam, a morte inesperada de um ente querido nos desorienta, os sofrimentos a que estamos sujeitos o tempo todo, devem nos lembrar das palavras de Jesus:

“Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33).

É justamente aqui que Cl 3.1-4 é a nossa bússola espiritual: “Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra” (v.2). Nosso coração deve se ocupar com a Glória Eterna; nossa vida deve ser direcionada a fruir das bênçãos da vida eterna. O verbo “pensar” (??????) aqui, tem a ideia de não somente “ter em mente”, mas, de “celebrar”, “fazer festa”, “exultar de alegria” ao pensar “nas coisas lá do alto”. Lembremo-nos do que a Bíblia diz:

“Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele”. (1Jo 2.15)

Amemos a Pátria Celestial.

3 – Por causa da vontade de Deus (Mc 11.12-14, 20-26).

Este texto nos conta de Jesus amaldiçoando uma figueira por não ter frutos, porque “não era tempo de figos” (v.13), o que leva muita gente que é contrária ao Evangelho a dizer que Jesus aqui cometeu um “crime ecológico”, porque matou uma figueira que não tinha frutos quando não era tempo dela frutificar. Esta história está aí para nos mostrar algumas verdades importantes. A primeira é a que está estampada nos versículos 2-24, onde Jesus fala sobre a importância da fé quando pedimos algo a Deus. A segunda, embora não esteja explícita no texto, aponta para o fato de que Jesus é soberano sobre a Sua criação. A Criação é Dele, e, portanto, Ele faz dela o que bem quiser. Os que querem usar essa passagem para acusar o Senhor Jesus de algum pecado devem deixar a hipocrisia de lado, pois quando o homem destrói a natureza, está destruindo algo que não lhe pertence; quando Deus quer destruir Sua Criação, Ele não peca, porque a Criação é Dele e ele não precisa prestar contas a ninguém.

Voltando ao assunto da nossa mensagem, Deus é soberano sobre o mundo. Não há um lugar sequer no mundo e no universo em que Ele não ponha o Seu pé e diga: “É meu!”. Tudo é Dele. No Sl 24.1 lemos: “Ao SENHOR pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam”. Quando Deus permite uma catástrofe como a que aconteceu essa semana no Japão, ou a morte de um ente querido nosso, ou seja, lá o que for, não pensemos que Ele perdeu o controle da situação, ou até mesmo que Ele não se importa mais conosco. Muito pelo contrário, quando tais coisas acontecem Ele está nos dando provas claras de Sua existência, soberania e domínio sobre o Seu Reino. Sei que essa análise soa fria, e, para muitos, ela parece apresentar Deus como um ser frio, que pouco se importa conosco. Mas, conclamo aos que tenderem para esse pensamento que o deixem o quanto antes, e contemplem a Deus em Sua majestade, glória e poder, e, que, do alto de Seu sublime trono, se inclina para ver o que se passa conosco e nos assiste em nossa dor (Sl 113.5-6), e que como prova maior do Seu amor por nós mandou a este mundo o Seu próprio Filho, Santo e Amado para morrer em nosso lugar e nos salvar (Rm 5.5).

Conclusão.

O que podemos tirar de prático para nossa vida com essas respostas? Vamos lá. Sendo o nosso pecado a causa de toda a desgraça não só em nossa vida, mas, em toda Criação, devemos confessar a Deus nosso pecado e admitir nossa total dependência Dele para vivermos o propósito Dele para nossas vidas. Sendo nós peregrinos neste mundo, não devemos permitir que os encantos ilusórios desse mundo nos cativem e nos faça perder o foco da nossa vida. Nosso alvo é a Glória Eterna; fomos criados para ela, e nos contentarmos com as coisas desse mundo é a maior loucura de nossas vidas. Sendo Deus soberano sobre tudo e todos, é prova da nossa sabedoria nos submetermos a Ele espontânea e sinceramente, pois, Ele jamais deixará de ser soberano, e tudo neste mundo jamais deixará de pertencer a Ele. A nós cabe louvarmos a Deus pelos Seus grandiosos feitos.


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