Realidades da Vida Cristã

23,mar,2011 por Olivar Alves Pereira

para que não me ensoberbeça

“Se é necessário que me glorie, ainda que não convém, passarei às visões e revelações do Senhor. ?Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado até ao terceiro céu (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe) ?e sei que o tal homem (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe) ?foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir. ?De tal coisa me gloriarei; não, porém, de mim mesmo, salvo nas minhas fraquezas. ?Pois, se eu vier a gloriar-me, não serei néscio, porque direi a verdade; mas abstenho-me para que ninguém se preocupe comigo mais do que em mim vê ou de mim ouve. ?E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. ?Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. ?Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. ?Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.” (2Co 12:1-10)

Certa vez, ouvi alguém dizer: “Dor é bênção”. Essas palavras ficaram ecoando em meu coração por muitos dias. E eu concordo plenamente com isso. Se a dor for resultado de nossas escolhas erradas, Deus a usa para nos ensinar; se ela for um infortúnio que nos sobreveio sem que tenhamos feito qualquer coisa errada, também creio que Deus usa a dor para nos lapidar e nos fazer mais parecidos com Seu Filho Jesus Cristo. Que bênção!

No texto bíblico acima, o apóstolo Paulo vem nos falar de uma experiência sobrenatural que teve ao ser arrebatado ao céu, e lá, ter ouvido “coisas inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir” (v.4). Somente depois de catorze anos é que ele resolveu falar sobre o ocorrido porque não queria que ninguém pensasse dele algo além do que nele podia ser visto ou ouvido (v.6). Paulo se preocupava com isso.

A seguir, ele passa a falar de um “espinho na carne, mensageiro de Satanás” (v.7), que fora colocado em sua vida para esbofeteá-lo a fim de que ele não se ensoberbecesse. Aqui encontramos a luta que um servo de Deus enfrenta. Luta espiritual da qual nenhum servo de Deus está isento, isso porque essas lutas e dores são realidades da vida cristã. E é sobre isso que quero meditar com os irmãos. Olhando para esse texto, podemos destacar as seguintes verdades sobre a vida cristã:

1 – Mesmo depois de uma profunda experiência com Deus somos capazes dos pecados mais sórdidos (v.7). Muitas são as opiniões sobre o que vem a ser este “espinho na carne” ao qual Paulo se refere. Algumas afirmações são ridículas, e outras são dignas de consideração. Eu, particularmente, concordo com duas: uma enfermidade física, talvez uma oftalmia que o obrigou a escrever com letras garrafais aos gálatas (Gl.6.11), que o impediu de reconhecer que era o sumo sacerdote Ananias (At.23.3-5), que o obrigou a ter um escriba para escrever a Carta aos Romanos (Rm.16.22); ou o pecado do orgulho e soberba, haja vista que aqui Paulo deixa bem claro que esse espinho na carne esbofeteava-o para que ele não se ensoberbecesse, não se exaltasse (v.7), e ele próprio era grato a Deus por essas lutas, pois, através delas Deus tratava-lhe o coração.

Seja o que for, o que me chama a atenção aqui é que Paulo lutava contra sentimentos orgulhosos em seu coração. Se ele não os tivesse, Deus não trataria desse problema em sua vida. E o mesmo acontece também conosco. Somos capazes de cometermos os pecados mais abomináveis mesmo depois de termos passado por uma experiência tremenda com Deus.

Um dos maiores perigos que rondam o coração dos crentes é o orgulho. Especialmente depois de uma experiência profunda com Deus. Isso acontece porque nosso coração vive à caça de ser glorificado, e o que mais desejamos é o reconhecimento dos outros. Logo, se eu tiver uma experiência mais marcante do que a sua, com muita probabilidade Satanás me tentará à soberba e a me considerar mais do que os outros com um espírito de grandeza e orgulho.

Uma dura realidade na vida cristã é que o orgulho é um dos principais pecados contra os quais lutamos. Se estamos próximos de Deus numa vida de santidade, sorrateiramente, o diabo sussurra em nosso coração o sentimento de grandeza e passamos a olhar os outros com desdém. Se estamos longe de Deus, o diabo sussurra em nosso coração que não precisamos de Deus e que somos capazes de viver sem Ele.

Não se iluda meu irmão, o orgulho é algo que está encravado em nosso coração e ele pode se manifestar de diversas formas, quer seja por autocomiseração ou autoglorificação, pois tudo isso mostra que não estamos dependendo de Deus. Se nos autocomiseramos, estamos buscando o favor dos homens e não o de Deus; se nos autoglorificamos, estamos desonrando Deus a quem toda a glória deve ser dada com exclusividade. Não se iluda: quanto mais próximo você estiver de Deus e quanto mais experiências profundas você tiver com Ele, mais você precisará se prevenir contra o orgulho.

2 – Deus é soberano sobre os métodos que Ele quiser usar a fim de nos corrigir (v. 7-8). Ao ler esse texto, me impressiono com os instrumentos que Deus usou para corrigir Paulo. Um veio do inferno, e o outro veio do céu. O que veio do inferno foi o “mensageiro de Satanás”, e o que veio do céu foi “a graça de Deus”. De todos os efeitos que o espinho na carne pudesse produzir em Paulo, tais como a dor, o incômodo, os maus-tratos, o pior era o esbofetear, por que isso o humilhava. Você consegue pensar em algo mais dolorido para um orgulhoso do que uma situação de humilhação? Mesmo sabendo que aquele espinho na carne o feria a fim de mantê-lo numa postura de humildade livrando-o, assim, do pecado do orgulho, Paulo pediu a Deus por três vezes que o Senhor o retirasse de sua vida. Deus então entra com o segundo instrumento: a Graça suficiente. O que Paulo ouviu de Deus foi algo que mexeu com seu orgulho: “A minha graça te basta”.

A Graça de Deus é maravilhosa; ela salva o pecador, transforma-o num filho de Deus. Mas, a Graça de Deus vai ao mais profundo do coração humano e revolve o orgulho do homem. Isso porque a Graça de Deus é o favor não merecido que recebemos, e é por isso que ela mexe com o nosso orgulho. Muito nos incomoda recebermos algo de graça sem que tenhamos feito algo para merecer. Desde pequenos somos adestrados para “fazermos por merecer”. Mas nada há que possamos fazer a fim de merecermos a Graça de Deus. E quando Paulo então pede a Deus que lhe retire de sua vida esse espinho, na esperança de que Deus o atendesse talvez por que pensasse que se o espinho lhe fosse retirado pudesse fazer mais para o Reino de Deus, ele ouve Deus dizer-lhe ao coração: “A minha graça te basta”. Ou seja, ele não seria liberto do espinho, e ainda, teria que depender somente da Graça de Deus para fortalecê-lo – algo que estava totalmente fora do seu controle.

Consegue imaginar como se sente um orgulhoso quando lhe dizem que ele não terá domínio qualquer sobre uma situação? Uma das coisas que mais dilacera o coração orgulhoso é o fato dele saber que ele não tem controle algum sobre si mesmo. Agora quero chamar sua atenção para o fato de Deus ter usado os meios que Ele quis usar para tratar Paulo. Isso deve ser observado com muita atenção porque na vida do crente, Deus poderá lançar mão do que Ele quiser para moldar o coração do crente. Deus tanto pode usar o diabo, como um anjo, tanto uma doença como a saúde, a vida como a morte, o sorriso como a lágrima. Em Rm.8.28-29 que “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus… para serem conformes a imagem de Seu Filho…”. Todas as coisas são empregadas por Deus conforme o Seu Divino propósito, e feliz é aquele que entende isso o quanto antes.

3 – O amadurecimento espiritual é resultado de nossa submissão aos propósitos de Deus em nossa vida (v.9-10). Havendo entendido que Deus não lhe retiraria aquele espinho para que ele não viesse a se engrandecer diante dos demais, Paulo avançou no seu relacionamento com Deus. Ele passou a entender que permanecendo fraco, admitindo que não tinha poder algum em si mesmo, evidenciaria em sua vida o poder de Deus. A força que ele sentia em seu ser, ele sabia muito bem que não era dele, de suas habilidades, mas, sim, obra de Deus na vida dele. É por esse motivo que ele exultava de alegria. E não somente isso, ele era capaz de sentir “prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo” (v.10).

Veja bem, Paulo não tinha acessos de masoquismo como muitos pensam. Ele não tinha prazer nessas coisas, mas, em passar por elas, porque no momento em que ele passava por cada uma dessas coisas ele sentia o poder de Deus o capacitando. Então o prazer de Paulo era no poder de Deus manifestado em sua vida durante as lutas. Note que a partir do momento em que ele compreendeu essa verdade seu coração não mais pediu a Deus que afastasse o tal espinho de sua vida. Em vez disso ele mergulhou a fundo no poder de Deus, e com esse poder foi capacitado. Melhor do que não ter qualquer problema nessa vida, é ter o poder de Deus nos capacitando, porque o poder de Deus está atrelado à Sua companhia em nossa vida! Mas você já observou como nós sempre queremos ficar livres dos problemas em vez de nos aquietarmos na presença de Deus e sermos fortalecidos por Seu poder?

Este é o desafio para nós: em meio às dores e lutas, em vez de fugirmos delas, encará-las sabendo que Deus nos capacitará com Seu poder em cada uma de nossas lutas. “Porque quando sou fraco, então é que sou forte” (v.10), porque é justamente na minha fraqueza que se manifesta o poder de Deus.

Conclusão: Rejeitar, brigar, se revoltar contra Deus por causa de uma dor, só aumenta ainda mais a nossa dor. Se nós em vez disso mantivermos nossos olhos fixos em Deus durante a nebulosidade das lutas, desfrutaremos de Sua doce presença e poder que nos fortalecerá. Só consegue ver a bênção na dor, aquele que vê em Deus a razão de sua vida.

8 Comentários para " Realidades da Vida Cristã "

  1. Luiz Antonio disse:

    A probabilidade de nos afastarmos de Deus quando tudo vai bem,é enorme.Devemos dar graças à Deus por usar as dores, os espinhos da vida, para fazer com que voltemos nossos olhos para Ele.Somos filhos Dele e nada mais gratificante do que sermos corrigidos por Ele.Um abraço.Deus te abençõe.

  2. João Carlos Ferreira Batista disse:

    Caros irmãos do Blog palavra que liberta, preciso da AJUDA, de vocês!
    como os irmão bem sabe, a igreja de Jesus está sofrendo várias mudanças, e onde eu congrego,não é diferente.
    Venho aqui,para pedir a ajuda dos irmãos, onde eu congrego, a pregação da palavra de Deus é completamente humanista(os hinos então,nem precisa falar.), as vezes me da uma fadiga na hora de ir para o culto(falo isso com toda sinceridade), quero saber,se os irmão tem algum material de estudos,para ser feito em grupo,pois quero reunir um amigo meu(nós somos jovens), para estudarmos juntos, com a intenção de compensar o que não tem nos cultos.por favor irmãos me ajudem,também se os irmãos puderem me dar opiniões a respeito do mesmo,eu agradeço,paz do Senhor Jesus!

    • Olá, João.
      Estamos preparando alguns cursos que estarão disponíveis em breve. Quem pode te precisar com certeza quando será é o Rev. olivar.

      • João Carlos Ferreira Batista disse:

        obrigado! vou estar aguardando.
        Reverendo Olivar,se o senhor puder me ajudar eu agradeço.

        paz do Senhor!

        • Olivar Alves disse:

          Querido João Carlos,
          Conte sempre comigo.
          Até os estudos ficarem prontos (o que vai demorarum pouco) estou à sua disposição. você consegue meu e-mail com o Georges. Entre em contato comigo diretamente. Existem muitas coisas que devem ser tratadas diretamente, e se houver possibilidade, pessoalmente. Moro em São José dos Campos. Se você morar aqui por perto terei o prazer de recebê-lo para conversarmos bastante. Não sendo possível faremos isso por e-mail. Meu trabalho principal aqui no site é aconselhamento.
          Conte comigo.
          Olivar

  3. João Carlos Ferreira Batista disse:

    só para complementar meu último comentário,se os irmão puderem,queria que me arrumassem estudos que tenha,perguntas para ser respondidas.
    agradeço desde já.

    paz do Senhor!

  4. Sugiro que vocês façam isso via fórum.
    No que puder ser discutido publicamente, o João pode abrir tantos tópicos quantos achar necessário.
    Caso seja algo pessoal, pode utilizar o sistema de mensagens privadas do fórum.

    • João Carlos Ferreira Batista disse:

      beleza! vou abrir um tópico se der certo agente continua,se não der certo, peso que me mande o Email do Rev. Olivar


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