A Igreja no século terceiro: romanização e paganização

26,out,2009 por Georges Nogueira
A paganização da Igreja

A paganização da Igreja

A dinâmica do desenvolvimento da Igreja no século terceiro apresentou poucas novidades em relação ao ocorrido no século segundo e já exposto nos posts anteriores. Antes, o século terceiro foi palco do aprofundamento dos problemas vividos nos século segundo, e de uma profunda mudança organizacional na Igreja, que visava proteger a fé e resistir aos ataques externos que nesse século se dariam tanto por parte dos imperadores romanos quanto das heresias que tentavam a todo custo perverter a sã doutrina do Evangelho.

Nesse século, a nova instituição conhecida como “Igreja Católica”, sedimentou seu caminho rumo ao poder absoluto à custa da desvirtuação do Evangelho de Cristo, propagado pelos Apóstolos do Senhor no primeiro século, defendido no século seguinte com as vidas de inúmeros cristãos verdadeiros e através da dedicação de vários apologistas da Verdade das Escrituras.

A distinção entre os clérigos e os leigos, coisa impensável na época de Paulo, Pedro e os demais apóstolos do Senhor, começa a se consolidar no seio da “Igreja” que se pretendia única e universal. Bispos, presbíteros e diáconos começaram a ser separados dos demais membros das igrejas. O que havia surgido como o desenvolvimento de uma moral “mais alta e mais próxima de Deus”, por parte daqueles, logo descambaria para a idéia de que o clero deveria se manter celibatário (curiosamente, o celibato era uma das principais idéias do montanismo, aquela heresia contra a qual se deveria lutar através da criação da igreja católica). No ano de 251, a igreja de Roma, à época a maior de todas as igrejas, possuía mais de 150 clérigos de todas as categorias.

A idéia de que o ministro cristão seria um sacerdote, ou um mediador entre Deus e os homens começou a prevalecer no século terceiro, sendo que o era o Bispo, ao qual se creditava uma capacidade divina de transmitir a verdade de Deus sem cometer erros. Se não cometia erros, parecia natural que pudesse, também, enquanto mediador entre os homens e Deus, perdoar os pecados do povo, o que acabou sendo adotado pela igreja romana na mesma época.

A centralização do poder em um único bispo dirigente que havia começado nas igrejas individualmente, logo foi expandida para um acerto que se mostrou mais prático com o surgimento de um grande número de grupos cristãos: o Bispo da igreja maior ou mais antiga, que passaria a se chamar “igreja matriz”, seria também o Bispo governante de todas as igrejas da cidade, que seriam, a seu tempo, cada uma delas dirigida por um presbítero que se reportava ao Bispo. Desta forma, o cargo de Bispo crescia em importância e poder no seio da Igreja católica. A cada uma dessas regiões ou distritos dava-se o nome de diocese.

Nesse século ainda não havia um governo centralizado de todas as igrejas, ao que se organizavam reuniões de bispos para que se tratasse das necessidades mais urgentes de cada igreja. Nessas reuniões, começava a tomar forma o consenso de que a unidade da igreja repousaria na concordância com o ponto de vista dos bispos. Como essa centralização ainda se demonstrava frágil aos olhos da igreja romana, surgiu outra idéia de unidade: a de que o Bispo de Roma deveria exercer autoridade sobre as outras dioceses, já que a igreja romana era a maior e mais rica dentre todas. No final do século segundo, os bispos romanos apenas começavam a reivindicar esta autoridade, ao passo que no final do século terceiro sua autoridade era já mais do que reconhecida e temida por todas as igrejas ligadas à organização católica no ocidente, enquanto que as igrejas do oriente não aceitavam a autoridade romana.

Um comentário para " A Igreja no século terceiro: romanização e paganização "

  1. Eder Eudes da Silva disse:

    “igreja”apóstata idólatra romana!


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