Política do império romano no terceiro século parte III

18,out,2009 por Georges Nogueira
Efígie de Carino

Efígie de Carino

Galiano foi sucedido por Cláudio II, considerado o primeiro dos imperadores ilírios, militares de carreira oriundos de uma província de romanização tardia, homens humildes e com quase nada da instrução literária refinada da elite romana tradicional, centrada no Senado, que haviam ascendido aos postos mais elevados nas fileiras do exército romano exclusivamente por mérito profissional, todos fanaticamente convencidos da grandeza de Roma e da eternidade do Império, que a partir daí iriam dirigir os destinos do Império no sentido da sua cada vez maior militarização e burocratização. Apesar disto, foi divinizado pelo Senado após sua morte.

Cláudio II incentivou o culto monoteísta ao deus Sol como estratégia de combate ao cristianismo. Procurou restaurar o prestigio da monarquia. Morreu de peste em 270, em Sirmium (atual Sremska Mitrovica, na província sérvia da Voivodina).

Foi sucedido por Quintilo, que quando ascendeu ao trono, dirigiu-se diretamente a Aquiléia, base de suas forças defensivas do norte da Península Itálica. Aureliano, antigo colaborador de Cláudio e igualmente aspirante ao trono, estava estacionado como comandante das tropas nas províncias balcânicas e teve que enfrentar as repetidas invasões das tribos germânicas que tentavam cruzar o Danúbio. Devido a uma vitória importante, foi proclamado imperador pelas suas tropas de Panônia e se pôs em marcha para destronar Quintilo.

Aureliano, pós assumir o império, tendo vencido inúmeras batalhas sobre os godos, os francos e os alamos, recebeu o título de “restaurador” do Império (Restitutor Orbis). Procurou assegurar novos fornecimentos de cereais a Roma, problema eterno na Urbe. General hábil, famoso pela sua destreza militar, robusto e com um senso estratégico notável. Faltavam-lhe, porém, sofisticação e astúcia em termos de ação política. Foi morto por um de seus antigos escravos em 275, quando foi sucedido por Tácito.

Tácito foi eleito imperador pelo Senado por exigência do exército. Era um senador de idade já avançada, de cuja carreira anterior quase nada se conhece. Como muitos de seus antecessores, foi morto pelos mesmos legionários que antes o aclamaram. Foi sucedido por Floriano em 276, sem o consenso do Senado.

Floriano estava lutando contra os Hérulos, quando o exército no Oriente elegeu Probo como imperador. Floriano tinha o apoio da Itália, Gália, Hispânia, Britânia, África e Mauritânia. Os dois imperadores rivais encontraram-se na Cilícia. Floriano contava com um exército maior, enquanto Probo era um experimentado general, e evitou um confronto direto. Quando ficou claro que Probo era superior, Floriano foi assassinado pelos seus próprios soldados.

Probo teve seu reinado marcado por constantes agitações militares nas províncias, motivadas por invasores ou usurpadores, além de aparentes atritos com o Senado do qual tentara limitar o poder. Foi assassinado pelas próprias tropas quando estava na região do Danúbio, sob o argumento de se evitar uma guerra civil.

Caro, que o sucedeu, tentou seguir o caminho da restauração da força do império, iniciado por Aureliano e Probo. Seus filhos Carino e Numeriano formaram, juntamente com Caro, uma dinastia de curta duração, que garantiu alguma estabilidade a um império ressurgente.

Em um dia, após uma forte tempestade, anunciou-se que Caro estava morto. Sua morte foi atribuída tanto a doenças, quanto aos efeitos de raios ou a uma ferida sofrida na campanha contra os persas. O fato de que estava conduzindo uma campanha vitoriosa, e que seu filho Numeriano lhe sucedeu sem qualquer oposição, sugerem que sua morte pode ter ocorrido de fato por causas naturais. Assim que morreu Caro, seus filhos Carino e Numeriano assumiram o trono de Roma.

Numeriano era um jovem de índole fraca para assumir um império em crise, mais interessado em literatura, apreciava escrever discursos, poemas e tinha um talento oratório que o deixou famoso nos círculos intelectuais de Roma, segundo a “Historia Augusta”. Em um primeiro momento Numeriano prosseguiu com a campanha persa onde lutara ao lado de seu pai,e que já havia sido coroada inicialmente com vitórias no campo de batalha. Permanecia junto com o Prefeito Pretoriano Arrius Aper, apesar desse ser ainda suspeito de ser autor da morte de seu pai, Caro.

Segundo a “História Augusta” Numeriano, chegando nas vizinhanças de Nicomédia começou a sofrer com sua vista numa doença causada, ao que parece, por causa das longas noites que passara sem dormir. Sempre deitado, enfraquecido, Arrius Aper aproveitou para assassiná-lo. Mas a morte não se tornou conhecida, e os soldados ficaram na ignorância. Os questionamentos eram respondidos por Aper que esclarecia que o imperador estava se recuperando, mas que estava muito debilitado, devendo evitar o Sol e o vento.

Aquela situação não poderia durar muito, visto que o cadáver estava em estado de putrefação, e o odor acabou revelando a verdade dos fatos. Aper planejava convencer os soldados que Numeriano tivera “causa mortis” natural e pretendia assumir seu lugar.

A Carino, o outro filho de Caro, coube permanecer em Roma e cuidar da administração imperial na ausência de seu pai. Com as vitórias paternas na Pérsia, em 283 foi nomeado “Augusto”, ou seja, hierarquicamente igual ao seu pai em relação ao poder imperial.

Com a morte de Caro e o assassinato de Numeriano, Os exércitos romanos no oriente não reconhecem Carino como sucessor de Numeriano. O motivo para a recusa nos é descoberto pela História Augusta que assim define Carino:

“Sua banheira era sempre mantida gelada com neve. Nomeou como prefeito de Roma um simples porteiro, escandalizando a cidade. Era o mais corrupto dos homens, adúltero e que corrompia a juventude, era sodomita. Encheu seu palácio de atores, prostitutas, cantores, ainda assim casou-se nove vezes, divorciando-se de algumas esposas mesmo elas estando grávidas.” (Continua…)


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