Eleição: condicional na visão arminiana – parte II

10,mar,2011 por Georges Nogueira

John Wesley

 
Continuação do artigo postado neste link.

A Confissão de fé de Westminster inclui a eleição incondicional em seu credo no capítulo em que essa fala sobre “os eternos decretos de Deus”. Devo confessar, fugindo apenas um pouco de nosso assunto central, que este capítulo específico da referida confissão me parece especialmente confuso:

“Desde toda a eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas.”.[ref]Igreja Presbiterana do Brasil . Confissão de Fé de Westminster, Capítulo III, I. Disponível em: <http://www.ipb.org.br/quem_somos/pdf/confissao_fe.pdf>. Acesso em: 10 mar. 2011[/ref]

Em suma, o parágrafo acima afirma que Deus ordenou tudo que acontece, mas que Ele não é o autor do pecado. Ora, se eu peco porque Deus determinou que eu deveria pecar, quem é o autor do pecado? E mais, se Deus determinou que eu deveria agir assim, como foi que Ele não tirou minha liberdade? Mesmo que alguém me responda que Deus determinou que eu fosse livre para fazer apenas uma coisa e não outra, automaticamente não sou livre para fazer nada. E Deus, que determinou que eu assim fizesse, seria, originalmente, o autor do pecado. Continuando com a confissão de fé de Westminster, voltando ao nosso tema central:

“Pelo decreto de Deus e para manifestação da sua glória, alguns homens e alguns anjos são predestinados para a vida eterna e outros preordenados para a morte eterna.” .[ref]Idem, Cap. III.III;[/ref]

 

“Segundo o seu eterno e imutável propósito e segundo o santo conselho e beneplácito da sua vontade, Deus antes que fosse o mundo criado, escolheu em Cristo para a glória eterna os homens que são predestinados para a vida; para o louvor da sua gloriosa graça, ele os escolheu de sua mera e livre graça e amor, e não por previsão de fé, ou de boas obras e perseverança nelas, ou de qualquer outra coisa na criatura que a isso o movesse, como condição ou causa.” .[ref]Idem, Cap. III.V[/ref]

Em seu artigo defendendo a eleição incondicional, o Rev. Olivar afirmou:

“A salvação do pecador não é um direito que lhe assiste, mas, sim, um ato livre da soberana vontade de Deus. Ele salva a quem Ele quer assim como não salva a quem não quer (Rm.9.14-18).”[ref]Pereira, Olivar Alves. Eleição: incondicional na visão calvinista. Disponível em: <http://www.palavraqueliberta.com.br/exegese/eleicao-incondicional-na-visao-calvinista>. Acesso em: 21 fev. 2011[/ref]

Assim sendo, podemos afirmar, sem nenhuma sombra de dúvida, que, conforme o calvinismo, indivíduos específicos são o objeto da eleição, e eles são escolhidos individual e incondicionalmente. Essas são justamente as conclusões que tanta divergência causam no meio cristão. Uma breve pesquisa é capaz de nos mostrar que a esmagadora maioria dos cristãos em todo o mundo se recusa a aceitar este conceito de eleição incondicional e exclusivamente individual como um conceito bíblico. Para a maioria de nós, essa eleição parece injusta e arbitrária da parte de Deus, o que evidentemente seria contrário aos atributos de Deus que nos são revelados pelas sagradas Escrituras. Outro problema com essa visão acerca da eleição reside em seus efeitos práticos, visto que muitos são levados a um estado de pessimismo, de dúvida quanto à salvação, e, em casos extremos, ao quietismo, condições estas que não somente prejudicam a vida cristã, como trazem grande desconforto psicológico e emocional a muitos outrora bons cristãos.

A resposta a esse erro doutrinário e exegético demonstra que o conceito bíblico de eleição encontra sua melhor expressão na eleição condicional. Esta teologia demonstra, firmemente alicerçada nas Escrituras, que a eleição está disponível a todos que se enquadrem em certas condições (daí ser condicional) as quais qualquer pessoa pode reunir. Esse conceito de eleição se mostra mais afinado com os conceitos bíblicos de eleição e aliança, que são demonstrados ao longo do relacionamento de Deus com o homem, como narrado exaustivamente na Bíblia.

Conforme esses relatos bíblicos, a eleição deve ser vista como condicional em contraposição à ideia de Agostinho abraçada por Calvino.

O conceito de eleição condicional, defendido pelos remonstrantes no viciado sínodo de Dordrecht, afirma o seguinte:

“Deus, por um eterno e imutável decreto em Cristo, antes da criação do mundo, determinou eleger, dentre a raça humana caída e pecadora, aqueles que pela graça creem em Jesus Cristo e perseveram na fé e obediência. Contrariamente, Deus resolveu rejeitar os não convertidos e descrentes, reservando-lhes o sofrimento eterno (Jo 3.36).”

Também o apóstolo Paulo, foi um prolífico pregador dessa verdade em suas epístolas:

“pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Rm 3.23-26)

Vejam que o versículo vinte e seis, no trecho acima, afirma exatamente isso: que Jesus é o justificador de todos aqueles que têm fé nEle. Não preciso repetir aqui, que tanto eu, quanto Calvino, quanto Armínio concordamos que essa fé nos é dada por Deus. Mas Calvino não conseguiu enxergar que a condição para a salvação é justamente o exercício e a boa aceitação dessa fé.

O capítulo nove da carta de Paulo aos Romanos constitui um precioso tratado sobre a eleição condicional inspirado por Deus, mas ainda não vou abordá-lo aqui, posto que o mesmo será de grande valia quando estivermos tratando da Expiação Universal.

Para os propósitos mais imediatos dessa exposição sobre a eleição condicional, basta citar, por ora, a conclusão do assunto tratado naquele capítulo, que se dá já no capítulo dez:

“Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus. Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê.” (Rm 10.3-4).

O fim da lei é Cristo, mas não para os predestinados nominalmente. Para “todo aquele que crê”. Esta é uma condição bastante clara, a meu ver. Crer em Jesus Cristo é a condição para a salvação. E não fui eu, nem foi Armínio quem criou isso. Paulo já havia dito.

Ao se dirigir à igreja de Corinto, Paulo os saúda da seguinte forma:

“à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:”(1Co 1.2)

Paulo inclui os santificados em Cristo Jesus, que nomeia com todos que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Mais uma vez, Paulo destaca o cristocentrismo inerente à salvação. Sua condicionalidade deriva desse cristocentrismo, visto que a condição que a Bíblia impõe para a salvação é justamente estar em Cristo.

Em 1Ts 2.13, Paulo mais uma vez dá ênfase aos que creem. Paulo também via essa eleição condicional como cristocêntrica, quando deixou claro, em vários de seus escritos, que a eleição somente ocorre em união com Jesus Cristo. Em Ef 1.4, O apóstolo afirma que Deus “nos escolheu nele antes da fundação do mundo”. Esta é mais uma situação em que a eleição condicional e o cristocentrismo se apoiam mutuamente criando entre si uma interdependência que não pode ser biblicamente refutada. Como não existíamos antes da fundação do mundo, não poderíamos ter sido escolhidos lá, senão “nele”, em Cristo Jesus.

Essa afirmação aponta para a primogenitura de Jesus entre os eleitos de Deus. Ao colocar o Cristo como base de nossa eleição, e primeiro eleito por Deus, A Bíblia não permite que haja qualquer tipo de interpretação que permita apontar uma eleição incondicional.

Vejamos o significado do termo incondicional, embora evidente:

“Incondicional – in.con.di.cio.nal – adj (in+condicional) Que não é condicional, que não depende de condições.”[ref]Michaelis . Moderno Dicionário da Língua Portuguesa. Disponível em: <http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=incondicional>[/ref]

Ora, se eleição é incondicional, não depende de estarmos em Cristo. Se não depende de estarmos em Cristo não somos eleitos nele. Jesus, então, se tornaria um acessório opcional para a eleição, jamais podendo ser colocado no centro da mesma. Ninguém é eleito à parte da união com Cristo pela fé. Essa heresia é o que se evita através do correto entendimento da eleição como condicional em Cristo. O conceito arminiano de eleição condicional afirma que somente em união com Cristo nos tornamos eleitos (Ef 1.4-13).

A verdade sobre a eleição condicional é tão biblicamente incontestável, que mesmo aqueles que combatem contra ela acabam se traindo, ao tratar do assunto em seus tratados e mesmo em suas confissões de fé. Vejamos o exemplo dos autores da confissão de fé de Westminster, na versão oficial adotada pela Igreja Presbiteriana do Brasil:

“No Evangelho Deus proclama o seu amor ao mundo, revela clara e plenamente o único caminho da salvação, assegura vida eterna a todos quantos verdadeiramente se arrependem e crêem em Cristo, e ordena que esta salvação seja anunciada a todos os homens, a fim de que conheçam a misericórdia oferecida e, pela ação do Seu Espírito, a aceitem como dádiva da graça.”.[ref]Igreja Presbiterana do Brasil op. cit. CAPÍTULO XXXV, I[/ref]

Como um favor adicional à causa tanto da eleição condicional quando da expiação universal, ainda cita a referida confissão as referências bíblicas nas quais se baseia a afirmação acima:

“Ref. Jo.3:16 e 14:6; At.4:12; I Jo.5:12; Mc.16:15; Ef.2:4,8,9..”

Vejam que a confissão de Westminster abandona por um instante o conceito de eleição incondicional, e se volta ao conceito bíblico de que a eleição é condicional. E universal.

É comum aos calvinistas das mais variadas matizes, desde as mais pacíficas até as mais agressivas classificarem o arminianismo como sendo uma doutrina antropocentrista. A verdade, contudo, é facilmente verificável com uma avaliação mais acurada das teologias de parte a parte. Como demonstrado acima, na condicionalidade da eleição reside o verdadeiro cristocentrismo, visto que a condição é Cristo. Estar em Cristo, em aliança, em concordância, em obediência e em submissão a Ele.

Igreja Presbiterana do Brasil . Confissão de Fé de Westminster, Capítulo III, I. Disponível em: <http://www.ipb.org.br/quem_somos/pdf/confissao_fe.pdf>. Acesso em: 21 fev. 2011

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  1. Eleição: condicional na visão arminiana – Parte I | A Palavra que Liberta

12 Comentários para " Eleição: condicional na visão arminiana – parte II "

  1. João Carlos Ferreira Batista disse:

    Caro Georges,obrigado pelo texto,já era tempo(risos).
    depois vou imprimir eles,para fazer um estudo mais aprofundado.
    enfim concordo com tudo que foi escrito aqui,estou aguardando os demais postes.amém.paz do Senhor Jesus Cristo!

    JC.

  2. Olivar Alves disse:

    Georges, quanto ao que a CFW diz sobre os eternos decretos de Deus e o aparecimento do pecado, é bom lembrar que a CFW está falando das “obras criadas por Deus”. O pecado, não é criação, mas, sim, fruto das ações do homem (é claro que eu creio que todas as ações do homem pecador são orientadas pelo seu pecado). O pecado assim como o mal fazem parte do caráter desgraçado de Satanás que contaminou o homem. O bem, por sua vez, não é criação, mas, sim, expressão do caráter de Deus. É por isso que Deus não é responsável pelo pecado.
    O grande problema nosso é que confundimos essa questão: bem e mal não são criação, mas, sim, expressão do caráter de pessoas.
    Olivar

    • Mas assim você não resolveu o problema, meu caro Reverendo!
      Você tão somente o mudou de posição. Atrbuindo o mal a uma expressão do caráter de satanás, você está dizendo que satanás contaminou o homem. Concordo em partes com isso, mas quem criou satanás?
      Por outro lado, se verificarmos que conforme a teologia calvinista o homem não tinha escolha mas satanás sim, podemos até imaginar que essa seria uma explicação perfeita para o equívico calvinista que apontei no artigo. Mas esse poder todo de satanás não ofenderia a soberania divina? Em última análise, satanás também não está debaixo da vontade de Deus?
      Como você vê, o nó não se desfez, só ficou mais apertado.

  3. Olivar Alves disse:

    é verdade, Georges, trata-se de um “nó” bem apertado mesmo. Nem Calvinismo nem Arminianismo conseguem chegar a uma resposta que esclareça todas as questões.
    Contudo, eu não vejo problema algum em admitir que o mal é “expressão do caráter” do Satanás. Porém atribuí-lo (o mal) como originado em Deus porque Deus criou Satanás e assim, Deus seria a causa primeira do mal, isso eu tenho completa aversão e objeção.
    A GM produz carros. Ela não produz os defeitos dos carros. Os defeitos aparecem com o tempo. Satanás fazia parte dos anjos de Deus, e em algum momento (não sabemos quando e como isso aconteceu) ele se encheu de orgulho e rebeldia contra Deus, ensoberbecendo-se, e por isso precipitou da presença de Deus e se tornou o que é hoje – um ser condenado.
    Deus permitiu que Satanás chegasse nesse ponto, assim como também permitiu que Adão e Eva escolhessem o pecado. Dessa forma, todos eles são responsáveis pelo pecado, mas, Deus, jamais pode ser responsabilizado.
    Nesse ponto minha resposta deixa muita gente frustrada, pois, muitos pensam que é possível dissecarmos esses assuntos e entendê-los completamente. Isso é muito complicado. Existem assuntos (e este é um) na Bíblia que ela não explica em detalhes. Simplesmente, diz que é assim, e é pela fé que devemos aceitá-los. Para as mentes “científicas” essa resposta soa como fuga, e frágil. Mas, temos de admitir que tais assuntos são pela fé.
    O que eu não posso aceitar é que Deus seja responsabilizado pelo mal. Mal não é criação: é ação da criatura cujo caráter foi deformado pelo pecado. O pecado não é um ser ou uma criação como as árvores, os animais e o ser humano, por isso o mal (e o pecado) não é criado, mas,sim, praticado. É por isso que o homem é responsável.
    Olivar

    • A discussão está ficando boa! Concordo com você quando diz que algumas coisas simplesmente não nos foram dadas a conhecer por Deus. Isso é o que a Bíblia nos ensina.
      E também acredito firmemente que não se pode “culpar” a Deus pelo mal.
      Mas quero comentar sua comparação com a GM: Imagine que uma determinada empresa fabrique carros com um vicio oculto, um desgaste em alguma peça que a empresa SABE que vai se manifestar. Por exemplo: Um defeito no sistema de freios que por alguma falha de material pode-se prever que após os 20000 Km irá se manifestar. Imagine que a empresa fabrica os carros assim, SABENDO que o defeito vai aparecer, mas simplesmente não informa aos consumidores para que eles façam ou manutenção e substituam a peça a tempo.
      Pode-se acusar a empresa de assassinato, não?
      É isso que as pessoas fazem quando creditam a Deus a responsabilidade pelo mal.
      Note que, nesta comparação, a diferença é que a GM não é onisciente, mas Deus é, o que tornaria seu crime muito mais grave. É a onisciência divina que torna tal suposição tão absurda.
      E esse é o caminho para o qual algumas conclusões calvinistas apontam.
      Mesmo assim, devo concordar com você que nem um nem outro sistema teológica são perfeitos. São humanos, não são?

  4. Olivar Alves disse:

    Acabo de ser atropelado por um GM. kkkkkkk. Estou tontinho.
    Cara, se entendi bem o que você disse, discordo dessa tal “inocência divina”. Ser inocente é não ter ciência (conhecimento) das coisas. Se não podemos creditar a Deus a existência do mal, muito menos podemos fazer tal afirmação que que Ele é inocente (antônimo de conhecedor e não antônimo de culpado). Em qualquer sentido a palavra “inocente” não cabe a Deus.
    A única coisa que afirmo categoricamente em tudo isso é que Deus não é o responsável pelo mal, mas, sim, o homem.

  5. Olivar Alves disse:

    Não vejo esse assunto da mesma da forma como você vê (refiro-me à interpretação que você dá a CFW). E muito mais do que querer defender essa ou aquela teologia, saio em defesa de Deus (não que Ele precise que eu faça isso, pois, Ele se defende sozinho). Não posso admitir um Deus inocente quer seja antônimo de “sem conhecimento” (pois isso O coloca dentro do famigerado Teismo Aberto, o qual eu abomino com todas as forças do meu ser), quer seja antônimo de “culpado” (pois isso o transforma naquele maldito demiurgo do gnosticismo).
    Admito que nesse assunto não tenho todas as respostas (e para ser sincero, bem poucas respostas tenho, as quais necessitam de mais respostas e explicações ainda). Creio como a Bíblia revela o assunto:
    – Deus é santo e nele não há sombra e nem variação de mudanças (Tg 1.16,17);
    – Deus é justo e o pecador só pode se reconciliar com Ele por que partiu Dele essa reconciliação (1Jo 4.19; Rm 5.1-11);
    – O homem foi criado reto, mas, se meteu em muitas astúcias (Ec 7.29)

    O mal jamais pode ser originado em Deus. Culpa-Lo disso é uma das blasfêmias mais antigas da humanidade (começou com Adão).
    Se a CFW estiver dizendo que Deus é o responsável pelo mal e pelo pecado (o que eu não vejo em lugar nenhum), meu irmão, eu rasgo e a jogo na lata do lixo.

    Olivar

  6. Paulo disse:

    Graça e paz.

    Lí sua publicação e fiquei interessado em escrever sobre. Mas lí seu post “Debates inúteis” e me perguntei se, algum comentário meu aqui, de posição doutrinária contrário ao seu, tbm seria inútil. Então, para não cansarmos pergunto: É inútil um diálogo sobre o assunto postado aqui por vc, ou podemos conversar sobre?

    No aguardo.

  7. Olá irmão Georges, desculpe a minha intromissão, mas creio que eu também tenho o Espírito de Deus:
    Satanás pecou, como qualquer criatura pecaria um dia. A criatura é finita e limitada e, por esta mesma razão, carrega em si a potencialidade do desvio. Quando exposta ao caráter de Deus, qualquer criatura não subsistirá por muito tempo, fazendo a Sua perfeita vontade. Logo, Deus necessariamente precisa sustentar uma criatura, do início ao fim, para que ela não caminhe para a morte, a degradação e o caos. Até mesmo as coisas criadas, a natureza, Deus as sustenta pela palavra do Seus poder, conforme Hb.1:3. Veja um exemplo:
    “Agora, pois, pergunta aos tempos passados, que te precederam desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra, desde uma extremidade do céu até à outra, se sucedeu jamais coisa tão grande como esta, ou se jamais se ouviu coisa como esta? Ou se algum povo ouviu a voz de Deus falando do meio do fogo, como tu a ouviste, e ficou vivo? Ou se Deus intentou ir tomar para si um povo do meio de outro povo com provas, com sinais, e com milagres, e com peleja, e com mão forte, e com braço estendido, e com grandes espantos, conforme a tudo quanto o SENHOR vosso Deus vos fez no Egito aos vossos olhos?” (Dt.4:32-34).
    “E dissestes: Eis aqui o SENHOR nosso Deus nos fez ver a sua glória e a sua grandeza, e ouvimos a sua voz do meio do fogo; hoje vimos que Deus fala com o homem, e que este permanece vivo” (Dt.5:24)
    Some-se a isto, o fato de que Deus, em nenhum momento, está obrigado a salvar ninguém e que Ele jamais idolatra as próprias coisas que criou. Nem mesmo o amor de Deus o obriga a salvar a todos. Prova disto é o que Ele diz à casa de Israel, em várias passagens:
    “Dize, portanto, à casa de Israel: Assim diz o SENHOR Deus: Não é por amor de vós que eu faço isto, ó casa de Israel, mas em atenção ao meu santo nome, que profanastes entre as nações para onde fostes” (Ez.36:22,32).
    “Porque povo santo és ao SENHOR teu Deus; o SENHOR teu Deus te escolheu, para que lhe fosses o seu povo especial, de todos os povos que há sobre a terra. O SENHOR não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos; Mas, porque o SENHOR vos amava, e para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão forte e vos resgatou da casa da servidão, da mão de Faraó, rei do Egito” (Dt.7:6-8) (Aqui tratando da eleição de um povo! Pelo visto,até Moisés era calvinista!)
    “Quando, pois, o SENHOR teu Deus os lançar fora de diante de ti, não fales no teu coração, dizendo: Por causa da minha justiça é que o SENHOR me trouxe a esta terra para a possuir; porque pela impiedade destas nações é que o SENHOR as lança fora de diante de ti. Não é por causa da tua justiça, nem pela retidão do teu coração que entras a possuir a sua terra, mas pela impiedade destas nações o SENHOR teu Deus as lança fora, de diante de ti, e para confirmar a palavra que o SENHOR jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó.
    Sabe, pois, que não é por causa da tua justiça que o SENHOR teu Deus te dá esta boa terra para possuí-la, pois tu és povo obstinado” (Dt.9:4-6).
    Assim, Deus é quem “sustenta a todos os que caem, e levanta a todos os abatidos. Os olhos de todos esperam em ti, e lhes dás o seu mantimento a seu tempo. Abres a tua mão, e fartas os desejos de todos os viventes. Justo é o SENHOR em todos os seus caminhos, e santo em todas as suas obras. (MAS) Perto está o Senhor (DE QUEM?) de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade” (Sl.145:14-18) Este texto fala de dependência absoluta das criaturas em relação ao Criador.
    Mas Seu Nome será glorificado “tanto nos que se salvam como nos que se perdem. Para uns, cheiro de morte para morte; mas para aqueles cheiro de vida para vida. E para estas coisas quem é idôneo?” (2 Coríntios 2:16)
    Utilizando-se deste princípio de que todas as criaturas tendem a se corromper, o Senhor fez primeiramente seres individuais: Os anjos. Assim, Ele decidiu presevar alguns, e não preservar a outros. Os que Ele não preservou, se corromperam, como era de se esperar:
    “E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia” (Jd.6)
    Somente os anjos eleitos permaneceram, “guardaram o seu principado”.
    Quanto aos homens, Deus os criou diferentes dos anjos, em 2 sentidos:
    1º) “Participantes comuns de carne e sangue”, expressão encontrada em Hb.2:14:
    Este 1º aspecto foi o responsável pela imputação do pecado a toda a raça humana.
    Conforme afirma o Rev. Ronald Hanko, “A Bíblia ensina que, mesmo que nunca tivéssemos pecado—nunca feito algo errado—ainda seríamos contados como pecadores diante de Deus. Essa é a doutrina bíblica do pecado original. Quando você ouve sobre pecado original, a referência é ao pecado de Adão e ao fato que Deus nos considera responsáveis por esse primeiro pecado de Adão. Somos tão culpados quanto ele foi dessa primeira desobediência—tão culpados que fomos punidos assim como ele o foi (isto explica o que eu disse antes: qualquer um, no lugar de Adão, se corromperia, quando apresentado aos padrões santos de Deus). Nascemos em delitos e pecados, sofrendo a penalidade que Deus anunciou no princípio (Gn. 2:17). (…) Quando Adão pecou, a morte veio sobre toda a raça humana. Note que esse versículo não diz que a morte virá quando todos tiverem pecado, mas que ela já veio sobre todos, porque todos pecaram. Em algum ponto no passado, todos pecaram, mesmo aqueles que não tinham nascido ainda, e assim, nascem mortos em delitos e pecados”.

    Essa condição parece injusta a muitos. Mas devemos nos lembrar, irmão Georges, que a consanguinidade da raça humana, também é a condição para nossa eleição em Cristo.
    “Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão. Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, JUSTIFICARÁ A MUITOS; porque as iniqüidades DELES levará sobre si. Por isso lhe darei a parte de MUITOS, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de MUITOS, e intercedeu pelos (POR ESTES MUITOS) transgressores” (Is.53:10-12)
    2º) O homem é constituído por elementos espirituais e físicos ao mesmo tempo, conforme Gn.2:7: “E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente”.
    Este fator vem complementar o anterior no processo de salvação. A morte do corpo, isto é, a primeira morte, permite ao homem escapar da sentença do Éden (Gn.2:17), a começar pela morte física: ” Porquanto quem morreu, está justificado do pecado” (Rm.6:7). Ademais, Cristo se identifica com seus eleitos, intercepta no caminho para a segunda morte, e lhes lhes confere vida espiritual, ainda na terra, o Espírito Santo como selo e penhor da nossa herança. Sim, por causa Dele, o Espírito de Cristo que habita em nós, seremos ressuscitados, após a morte física: “E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça. E, se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita” (Rm.8:10-11).
    Por fim, se Jesus morreu por todos, porquê não “consegue” salvar a todos?
    Se Ele morreu, na esperança ou previsão de que alguns viriam a crer Nele, então Deus já não é Soberano e digno de Toda a Glória. Ele se torna uma espécie de “servo” do homem, visto que morreu para ter condição de honrar aqueles que escolheram a fé, a salvação, a obediência…
    O que aconteceria com a Glória de Cristo, se ninguém, ou muito poucas pessoas “aceitassem” a oferta da salvação, ou não perseverassem até o fim?
    Você está perseverando até o fim, em perfeita obediência, ou comete pecados todos os dias, alguns dos quais até mesmo se esquece de confessar?
    Gostaria sinceramente que sua salvação dependesse de sua obediência e fidelidade até o fim? O Salmista pergunta: “Quem pode entender os seus erros?” Então, humildemente ora: “Expurga-me tu dos que me são ocultos. Também da soberba guarda o teu servo, para que se não assenhorie de mim. Então serei sincero, e ficarei limpo de grande transgressão” (Sl.19:12-13). E se você se esquecer de algum pecado? Já era: “Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos” (Tg.2:10).
    Cristo não morreu em 1º lugar por causa do homem! Ele morreu e ressuscitou para Sua própria Glória, para conquistar para Si O Nome, acima de todo nome. Nós fomos eleitos Nele conforme o desígnio dAquele que faz todas as coisas, conforme o conselho da Sua Vontade. Somos “fruto do trabalho de Sua alma” (Is.53:11).
    “Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com saco e com cinza” (Mt.11:21)
    Se Jesus quer salvar, e Ele afirma que os de Tiro e de Sidom teriam se arrependido com saco e com cinza, caso fossem feitos no meio deles os prodígios que Ele realizara em Corazim e Betsaida, porquê tais pródígios não foram feitos em Tiro e em Sidom?


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