Estudos na carta de Tiago – A fé cristã na prática (parte II) – a perseverança

05,out,2010 por Olivar Alves Pereira

Perseverança

Na vida cristã, a perseverança exerce papel fundamental. Em sua carta, Tiago sempre toca nesse assunto. Bem pode ser que os cristãos naqueles dias estavam se afastando dos princípios elementares da Fé Cristã, e por isso, o apóstolo lhes exortou a perseverarem. “Perseverar” é o ato de persistir, manter-se firme e constante; continuar, permanecer; conservar-se”. Em se tratando da Fé Cristã, então, perseverar, significa manter-se firme na fé, não afastar-se do Caminho, permanecer na presença de Deus. Neste primeiro capítulo, o assunto principal é a perseverança relacionada a várias áreas da vida cristã. Vejamos:

1 – Perseverança e o crescimento espiritual (Tg 1.2-4)

Tiago exorta os crentes a perseverarem em meio às provações, e não somente isso, mas, também ter “por motivo de alegria” o passar por várias provações. Aqui destacamos que o crente em Cristo  passa por provações; e não somente isso mas, por “várias” provações (v.2).

Quando Deus permite que o crente passe por essas “várias provações”, Ele tem um propósito bem definido: levar o crente ao amadurecimento. Esse amadurecimento é descrito aqui como “perfeição e integridade”. Ser perfeito, biblicamente, falando, é ser maduro, capaz de encontrar na Palavra as respostas para seus dilemas. Integridade aponta para um caráter que não permite transparente. O que eu faço quando estou sozinho, quando não tenho nenhuma pessoa me vendo diz muito sobre o meu caráter.

2 – Perseverança e sabedoria (Tg 1.5-8)

Na busca pela maturidade espiritual nos deparamos com a nossa falta de sabedoria. Algo muito importante para o nosso crescimento é reconhecer nossas próprias limitações. Se constatarmos que precisamos de sabedoria então devemos pedir a Deus, e Ele nos dará sem nos criticar (improperar); ele não nos ridicularizará por mostrarmos que somos faltos de sabedoria.

Na busca pela sabedoria que Deus dá precisamos: pedir com fé, em nada duvidando, a dúvida aqui é a atitude de questionar em seu próprio coração a bondade de Deus, e por isso mesmo é um pecado; ser constante na presença de Deus. Mais uma vez aqui encontramos a perseverança do crente. Ter “ânimo dobre” é ser um “inconstante”, “alguém que vacila entre duas coisas”, no caso aqui, trata-se do comportamento que num momento mostra confiar em Deus e logo duvida de Sua bondade em conceder sabedoria ao coração que Lhe pede.

3 – Perseverança e a humildade (Tg 1.9-11)

O foco aqui nesses versículos é a humildade. Tanto o irmão de condição humilde quanto o rico, devem observar que nada são. O irmão de condição humilde deve “gloriar-se na sua dignidade”. Mas, qual é a dignidade do irmão de condição humilde? A de ser parecido com o Senhor Jesus Cristo. Ele sendo o Rei do universo, se humilhou (Fp 2.5-11). O irmão rico deve ver que ele é igualmente insignificante, pois, o mesmo fim que o pobre tem o rico também terá (v.11).

A humildade deve ser a marca do crente, e ele deve perseverar nesse sentido, pois, é através dela que ele se identifica com Cristo. Quão difícil é para nós permanecermos humildes, especialmente quando alguém nos fere em nosso orgulho, não é mesmo?

4 – Perseverança na provação para aprovação, (Tg 1.12-15)

Há que se distinguir entre provação e tentação. A provação é uma luta intensa pela qual o crente passa, luta essa que pode vir em forma de uma enfermidade, um conflito nos relacionamentos, um problema de ordem financeira, enfim, qualquer situação que ponha em prova o caráter do crente. Por isso mesmo, a provação é dada por Deus. Já a tentação, é um ataque feroz (ou às vezes sutil) do diabo, aguçando nossa cobiça (v.14), inflamando nosso coração pecaminoso sugerindo-lhe um pecado. Assim a tentação é obra do diabo e é permitida por Deus. Satanás não pode nos tentar sem a permissão de Deus. Acontece que se o crente permanecer firme na presença de Deus, ele receberá poder para vencer a tentação, e assim, ele crescerá na Fé.

Deus não tenta ninguém. Contudo, Ele tem todo o poder para reverter uma tentação em um instrumento que forçará o crente a crescer ainda mais em maturidade e integridade.

5 – Perseverança no propósito de Deus, (Tg 1.16-18)

“…segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas” (v.18).

Este é o propósito de Deus para nós: sermos como que “os primeiros frutos” Dele no meio desse mundo. E como tais devemos refletir o caráter de Deus.

Quem vive dessa forma compreenderá que “toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto” (v.17), vindos do trono de Deus a nós, e não fruto da nossa capacidade ou inteligência como pensam os arrogantes. Novamente aqui, Tiago toca na humildade do crente, só que dessa vez em reconhecer sua total dependência de Deus.

6 – Perseverança e a verdadeira religião, (Tg 1.19-27)

A ira é um sentimento positivo que se torna negativo em instantes. Ela é uma força interna que nos leva a reagir diante de alguma injustiça ou pecado. Até aqui tudo bem, pois, a bíblia até mesmo diz que devemos nos irar, mas, não pecar (Ef 4.26). A ira se transforma em pecado quando damos lugar ao diabo para inflamar nossos sentimentos, e assim, agirmos motivados pela raiva e sede de vingança. Mas, devemos lembrar que a nossa sede de vingança não produz a justiça de Deus (v.20).

Por isso devemos nos despojar de toda impureza e acúmulo de maldade, e acolher com mansidão a Palavra de Deus que foi implantada em nosso coração. Por isso mesmo, Tiago agora enfatiza a diferença entre o mero ouvinte e o operoso praticante da Palavra.

O mero ouvinte:  tem uma religião de aparências; engana a si mesmo; perde o seu tempo, pois não põe em prática o que ouviu.

O operoso praticante:  é livre, pois atenta para a Lei da liberdade; é perseverante nessa Lei;  é muito feliz em tudo o que faz, pois o faz para a glória de Deus.

Concluindo, Tiago nos mostra que a verdadeira religião é a religião do amor, a qual considera a necessidade dos desvalidos e desamparados, dos órfãos e das viúvas. Naqueles tempos, alguém era considerado órfão (e no caso das mulheres, viúvas) se não tivesse ninguém por si, nenhuma fonte de renda e subsistência. Daí essas pessoas serem totalmente necessitadas.

Mas a verdadeira religião ainda tem outra característica importante: pureza e santidade em meio a um mundo depravado. Mais uma vez, a perseverança é o assunto aqui, pois uma vida de pureza e santidade requer perseverança na presença de Deus. E não devemos inverter a ordem dos fatos, pois, é permanecendo na presença de Deus que viveremos em santidade e pureza. Muitos pensam que se aproximarão mais de Deus se se mantiverem puros. Isso é a mais tola presunção do coração humano. É bebendo água que matamos nossa sede, o contrário seria um absurdo. Eu não me santifico para depois me apresentar a Deus, mas, sou santificado por Deus e assim Ele me sustenta em Sua presença mantendo-me puro e santo.

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