Estudos na carta de Tiago – A fé cristã na prática (parte IV) – a fé

07,out,2010 por Olivar Alves Pereira

Em obras?

Na sequência dos nossos estudos veremos hoje a Fé em relação às obras (Tg 2.14-26).

1 – Uma pergunta importante (Tg 2.19)

No versículo 19 lemos: “Crês, tu, que Deus é um só?”. Essa pergunta é muito importante para compreendermos o que Tiago está ensinando nestes versos. Aparentemente, essa pergunta não tem muito a ver com o assunto em questão, a saber, a fé sem obras é morta (Tg 2.26). Mas, tem tudo a ver!

O que Tiago está nos mostrando aqui é que assim como Deus é um só (ainda que seja Pai, Filho e Espírito Santo), a verdadeira fé que é fruto da confiança total e exclusiva no sacrifício de Jesus para nos salvar e justificar, essa fé e as obras decorrentes dela, são a mesma coisa. Podemos dizer que a verdadeira fé é a “alma” das obras, e as obras são o “corpo” da fé. Se alguém diz que tem fé em Cristo, deve praticar obras de justiça com uma certa naturalidade. Logo, se alguém diz que tem fé em Cristo, mas, suas obras lhe contradizem, ou ainda, não apresenta qualquer obra que condiga com essa fé, tal fé é falsa, é carnal, humana, é morta!

2 – A verdadeira fé em contraposição à falsa fé  (Tg 2.14 – 18)

Nos versículos 1-13, Tiago falou sobre o fazer acepção de pessoas: acolher com honras aos ricos e com desprezo aos pobres. Agora, nos v.ersículos 4-18 ele destaca não só o acolher os necessitados, como também, socorrê-los em seus apuros.

Tomando tal situação como exemplo, Tiago nos mostra que de nada adianta dizermos que temos fé se na hora de pormos em prática fracassamos. Tal pessoa age com insensatez (sem senso, juízo, age como um louco):

“Queres, pois ficar certo, ó homem insensato, de que tal fé sem obras é inoperante?” (Tg 2.19).

Então destacamos:

Verdadeira Fé

  • Centrada em Cristo
  • Operante
  • Viva
  • Vida Eterna

Falsa fé

  • Centrada no homem
  • Inoperante
  • Morta
  • Morte eterna

A Verdadeira Fé nos leva a agir biblicamente, seguindo as normas que Deus nos deixou em Sua Palavra. Não se trata de um cumprimento legalista da Palavra de Deus, mas, sim, de uma obediência voluntária, cheia de amor por Deus que se manifestará em amor pelo próximo.

3 – Justificação pela Fé ou pelas Obras?

A Reforma Protestante enfatizou: “Justificação somente pela fé”, ou seja, eles pregaram contra os abusos da igreja Católica que ensina que os homens devem fazer alguma coisa para serem salvos, e isso significava pagar grandes quantias em dinheiro à igreja a qual emitia documentos concedendo o perdão de Deus – um absurdo!

Quando Tiago questiona se uma fé sem obras pode salvar (Tg 2.14), e citando Abraão que foi justificado quando ofereceu Isaque em sacrifício, ele então declara :

“Vês como a fé operava juntamente com as suas obras; com efeito foi pelas obras que a fé se consumou” (Tg 2.22).

Estaria Tiago dizendo que a justificação (e a salvação) é pelas obras? Quando comparamos essa declaração de Tiago com a de Paulo, que tomando o mesmo caso de Abraão diz que ele fora justificado pela fé (Rm.4.1-3), estamos diante de uma aparente contradição. Mas, ela é apenas aparente, e não real.

Tiago não diz que a justificação é pelas obras somente, mas sim, que a fé de Abraão operava juntamente com suas obras. Quando Tiago cita Abraão sendo justificado porque fez algo que mostrasse sua fé, ele recorre a Gn 22, enquanto que Paulo, para falar da justificação de Abraão por meio da fé, cita Gn 15. Mas, qual a diferença desses textos?

Em Gn.15, texto mencionado por Paulo, o que se ressalta é a justificação aos olhos de Deus, ou seja, ao responder com fé em Deus, Abraão foi justificado, mas, tal justificação era patente somente aos olhos de Deus. Já em Gn.22, texto citado por Tiago, o que se ressalta é a justificação aos olhos dos homens, ou seja, que ao agir com obediência dispondo-se a sacrificar Isaque num altar, Abraão mostrou sua fé, tornou-a visível aos olhos dos homens. Paulo ressalta o momento dessa justificação, enquanto que Tiago ressalta os efeitos dessa justificação.

A Bíblia de Estudo de Genebra comentando o versículo 22 diz:

“o pleno desenvolvimento da fé é observado através das obras. A fé verdadeira sempre produz frutos. A fé e as obras podem ser distinguidas entre si, porém, nunca separadas ou divorciadas”.

Assim voltamos à pergunta central deste trecho que está no v.19, apontando para a unicidade de Deus que é a base para a afirmação central deste trecho, a saber, a verdadeira fé está intimamente relacionada às boas obras.

4 – O que são as boas obras?

Não podemos encerrar esse estudo sem considerarmos essa pergunta. Boas obras não são obras de bondade, caridade ou corretas, somente. As boas obras são aquelas que realizamos por meio de Cristo, ou seja, tudo quanto fazemos dando todo o crédito e louvor a Jesus, colocando Nele toda confiança.

Dessa forma, podemos afirmar que somente o crente pode praticar boas obras, porque essas boas obras são o propósito de Deus para ele:

“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.” (Ef 2.8-10).

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10 Comentários para " Estudos na carta de Tiago – A fé cristã na prática (parte IV) – a fé "

  1. Thelma disse:

    Pastor Olivar, gostei guando citou a justificação pela fé referindo-se às indulgências. Guando mencionou a visão em Gn 15 e 22. Sei que pela infinita misericórdia de Deus, ao recebemos Jesus como Senhor, somos salvos, porém a fé sem obras, torna-nos religiosos e não cristãos (pequenos Cristos).
    Uma dúvida, que tenho é sobre a diferença entre salvação e reino dos céus (Mt 7:21-22).

    A paz do Senhor! e ricas bençãos para toda sua família!

  2. Olivar Alves disse:

    Oi irmã,
    O tempo não me permite dar-lhe uma resposta detalhada sobre sua pergunta. Mas, o que posso fazer aqui é transcrever a definição que John D. Davis faz e diz respeito a:
    “A soberania que Daniel profetizou que Deus estabeleceria na terra para sempre. Em confronto com os reinos deste mundo, representados sob a figura de animais, o reino de Deus é representado por um varão semelhante ao filho do homem, Dn.7.13,14. João Batista e nosso Senhor Jesus Cristo declararam que este reino estava próximo, Mt. 3.2; 4.17. Jesus ensinou a seus discípulos que orassem pela sua vinda, Mt.6.10, instruiu os apóstolos, em sua primeira missão para que dissessem que o reino de Deusestava próximo, Mt.10.7, e mais tarde declarou que este reino já havia chegado, Mt.12.28; ilustrou a natureza deste reino por meio de parábolas. Chama-se ‘reino dos céus’ e de ‘reino de Deus’. O evangelista São Mateus prefere a expressão ‘reino dos céus’; Marcos e Lucas preferem a expressão ‘reino de Deus’, Mt.13.24,31,33,44,45; com Mc.4.11,26,30; Lc.14.15; 17.20 etc. Este reino é todo espiritual, e nenhuns (sic) meios materiais violentos servirão parao seu estabelecimento na terra, Jo.18.33-37. Começou na terra com o ministério real de Cristo e será consumado nas bem-aventuranças do mundo eterno, Mt.25.31-46; Lc.23.42,43. O reino dos céus vem a ser a ‘igreja invisível’. É a república dos filhos de Deus, a verdadeira companhia de todo o povo fiel, representada pela igreja visível, mas que é maior do que ela em todas as idades do mundo”.
    Em suma, trazendo o reino de Deus neste mundo, Jesus nos trouxe a salvação. As duas coisas andam juntas. Sugiro a você o livro de Gerard Van Groningen “Criação e Consumação” da Editora Cultura Cristã. São três volumes, densos, mas, ele trabalhará muito bem o assunto sobre o “Reino de Deus”.
    Espero ter-lhe ajudado.
    Pr.Olivar

  3. thelma disse:

    Pr. Olivar, obrigada! Vou comprar o livro que você indicou.
    Ah! estou ouvindo a Rádio Fidelidade. Vc disse que ela precisa de oferta, quais os dados bancários para que eu possa ajudá-la.

    Que vc continue pregando a palavra de Deus com muito amor!

  4. Olá sr. Olivar Pereira;

    Fé é um assunto que eu particularmente gosto de discutir, mais do que religião , então resolvi responder ao e-mail que recebi do blog.

    Eu descordo em termos, eu acho que a fé, por si só, mesmo que não esteja lincada aos atos, seja boa para as pessoas que creem em espiritualidade. Veja bem: mesmo que ela esteja sendo falsa consigo mesma, a fé por si própria conforta o seu praticante, agindo como um placebo que o cura das doenças que sua própria mente criou. Acredito que independente de credo ou religião, as pessoas que tem fé, possuem um porto seguro para repousar suas almas quando tudo parecer perdido, quando seus sentimentos estão angustiantes a fé (as vezes hibernando nas pessoas) desperta e faz com que as pessoas imaginem que um dia a situação possa melhorar.

    Eu não acho que Fé tem a ver com Cristo, nem com qualquer deus , acredito que a fé seja um estado de espírito, eu posso estar errado, afinal eu sou uma pessoa sem fé, mas essa é a idéia que eu tenho observando as pessoas, gosto de observar o comportamento do ser humano (isso faz parte da minha profissão), e é esta a visão que tenho. As pessoas que não praticam a fé todos os dias usam-na como refúgio para a Alma, nao para ficarem de bem com a sociedade, nem para ficarem de bem com seu respectivo deus, mas simplismente para ficar de bem com sigo mesmas, isso evita suicídios, e trás paz ao espírito, então acho que é uma fé viva sim.

    CQD.

    • Georges Nogueira disse:

      Boa tarde, Ricardo!
      Antes de mais nada, saiba que você continua sendo meu ateu favorito (Pelo menos conseguimos conversar). Quanto aos conceitos de fé, eu concordo em gênero, número e grau com as definições do Rev. Olivar, principalmente naquilo que ele enumerou como verdadeira fé e falsa fé.
      A princípio, creio que a discordância entre vocês, além do motivo óbvio de terem crenças antagônicas, parte da conceituação da palavra.
      Para nós, cristãos, isso que se convencionou chamar de fé, nada mais é o que crença em alguma coisa. Nesse sentido, pode-se alimentar crença por Papai Noel ou Saci-Pererê normalmente.
      Fé Verdadeira, contudo, somente no Cristo ressurreto, pelos motivos que o Rev. Olivar demonstrou exaustivamente em sua série de artigos.
      Espero que eu tenha sido claro até este ponto: estou afirmando aqui que para que se chegue a bom termo, seria interessante que cada um de vocês definisse seus conceitos antes mesmo de iniciar alguma discussão.
      Finalmente, Ricardo, lhe peço desculpas publicamente pelo email lhe ter sido enviado e me lembro claramente de termos conversado a respeito, e você ter afirmado que gostaria de receber emails sobre um artigo específico do blog. Aconteceu de você receber junto a newsletter, porque tivemos sérios problemas com nosso servidor antigo, e na migração para o novo servidor algumas configurações foram perdidas, e muitas pessoas que haviam optado por receber apenas os comentários de determinados posts acabaram por receber também a newsletter. O contrário também aconteceu: muita gente deixou de receber a newsletter, e teve de se recadastrar.
      Tenho certeza de que você viu a opção de descadastramento no radapé da mensagem que recebeu, caso não queira ser importunado com nossas futuras mensagens.
      De qualquer maneira, faço questão de deixar aqui, de público, minha retratação pelo ocorrido .

      • Ricardo Moreno disse:

        Que isso, não precisa se desculpar… Eu recebo tantos emails por dia que nem dá tempo de ver todos, muitos acabo pulando, mas vez ou outra vejo algo que me chame a atenção, como foi o caso deste post.

        Como sempre, só tenho a agradecer o carinho com o qual sou tratado por aqui. 😀

        Abs;
        R.Moreno

  5. Olivar Alves disse:

    Olá Ricardo,
    Seguindo então a orientação do Georges, vamos lá. Definirei “FÉ” (embora já o tenha feito em outros artigos dessa série de estudos na Carta de Tiago.
    Farei minha definição sob dois pontos de vista: (1) a de um cientista da religião (porque o sou) e (2) como Teólogo/pastor presbiteriano.

    (1) Em Ciências da Religião: nesse ponto, eu concordo plenamente com sua definição de fé. É uma crença em alguma coisa, entidade, ou qualquer outro sistema religioso que expresse uma devoção. Nesse sentido, até o ateu é religioso, pois, seu pressuposto de “não crer em nada” por si só, é o “crer em alguma coisa”. Essa fé serve como um elemento que coibe o indivíduo de erros e comportamentos desastrosos. Embora não sei se esse foi o sentido do que Marx disse “a religião é o ópio da sociedade”, creio que faz sentido pensarmos na religião/fé como esse “freio”, esse “elemento de entorpecimento”. é verdade que o sentido de “placebo” como você levantou também é verdadeiro. Embora eu entenda dessa forma esse tipo de fé, não é ele que eu adoto em minha relação com Cristo. Veja a seguir.

    (2) Teológico/pastoral: Certa feita, Jesus trouxe um discurso o qual foi considerado “duro demais” pelos que O seguiam (Jo.6.22-71). Ao ouvirem-No muitos se retiraram e deixaram de segui-Lo. Nesse momento Ele se volta para os doze discípulos e lhes pergunta: “Porventura, queries também vós outros retirar-vos?” (v.67). A isso Pedro Lhe respondeu: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus” (v.68,69). Pedro não disse: “Para onde iremos” ou “o que seguiremos”, mas sim “para QUEM iremos”. Desse ponto em diante, a Fé em Cristo se distingue completamente da religião. Religião é você seguir uma filosofia de vida; o Evangelho, é você seguir a Cristo, uma pessoa e não uma filosofia apenas. Se você ler com calma tudo o que tenho escrito nessa série de estudos sobre a Carta de Tiago, observará que o ponto principal a que tenho me reportado o tempo todo é: seguir a Cristo, ter fé Nele é obedecer o que Ele manda, é praticar, é fazer. Ficar numa postura de contemplação inicialmente é correto, mas, depois, se você fica só contemplando em vez de agir e fazer, você não sairá do estágio “religião” e jamais experimentará a ‘Vida Eterna”, vida essa que começa nessa vida. Vida que preenche os vazios de sua alma, que lhe dá sentido para sua existência, que lhe dá a plena, única e verdadeira felicidade.

    Ricardo, quando eu coloco o foco na prática (aliás, não eu, mas a Palavra de Deus) é porque é incongruente, incoerente e hipócrita dizer que sigo a Cristo, mas, não faço o que Ele quer. Por isso que seguir a Cristo é muito diferente do que ter apenas uma religião ou crença.

    No sentido que você vê a fé eu também o vejo. O meu convite a você é ver agora a Fé em Cristo como eu estou lhe colocando. Pode ser que você nesse ponto vá me dizer: “Lá vem o crentão querendo me converter”. E eu seria um hipócrita e mentiroso se lhe dissesse que não tenho essa intensão. Não quero convertê-lo à minha religião. Aliás, eu creio que a conversão nem é meu papel (é do Espírito Santo de Deus), pois, minha parte é pregar o Evangelho.

    Por fim, cito as palavras de Stanley Jones:
    “Religião é o homem buscando a Deus, por isso mesmo existem muitas religiões. Mas, o Evangelho, é Deus buscando o homem, por isso mesmo existe um único Evangelho”.

    Muito obrigado por me dar essa oportunidade. Conversar com quem pensa diferente, mas, que tem postura e bom senso é outro papo.

    Forte abraço.
    Rev.Olivar

    • Georges Nogueira disse:

      Olivar:
      Esclarecendo sua dúvida com relação a Marx, ele chamava a religião de ópio do povo, e não da sociedade. E os conceitos de sociedade e povo são bastante diferentes, principalmente na doutrina marxista.
      Ele dizia isso da religião, porque, para ele, essa nada mais era que um instrumento de alienação nas mãos da burguesia. Serviria tão somente para manter o controle exercido sobre os trabalhadores, para que os proprietários dos meios de produção continuassem roubando dos operários proletários a mais-valia, e garantindo o status quo que o marxismo pretendia derrubar.
      Por isso a comparação com um alucinógeno que deixa seus usuários prostrados e incapazaes de de qualquer elaboração racional que os permitissem se organizar para reagir e tomar o poder de seus exploradores.
      Lembremo-nos, contudo, de que Marx foi um bêbado que espancava a mulher, e sua tão adorada doutrina marxista é uma doutrina assassina. Além do mais, o grande pensador da política e da economia da teoria marxista foi Engels, e não Marx, o que o desqualifica mais ainda como pensador.
      Quanto a sua definição científica de fé, discordo ligeiramente, mas não é o caso agora.

      Ricardo:
      Também abomino a alienação que algumas “religiões” conseguem impor sobre algumas pessoas de “cabeça fraca”.
      Tanto é verdade, que você raramente me vê tratar do assunto “religião” por aqui. Prova maior ainda, é que a “religião” do Olivar é diferente da minha. Tão diferente, que eu jamais, sequer me imaginaria adotando-a, e o próprio Reverendo Olivar já me assegurou que a recíproca é verdadeira. Digo isso para lhe mostrar que o que temos em comum aqui não é a religião, mas o Evangelho.

  6. Olivar Alves disse:

    Olá Georges,
    Obrigado pela aula de Marxismo. Mas, quando eu mencionei Marx, eu sabia o sentido em que ele havia dito isso quando falei do “elemento de entorpecimento” que aliena e anula o indivíduo. Por essa razão ela é um freio para a sociedade/povo. Aliás, não só por isso, pois,seja qual for a religião (exceto aquelas declaradamente satânicas) elas têm o elemento da caridade (não estou questionando aqui quais as intensões por trás dessa caridade), o que leva as pessoas a evitarem atos de maldade contra o próximo. Assim, a religião é um freio. Isso digo do ponto de vista das Ciências da Religião.
    Voltando ao ponto de vista bíblico/teológico, somente Cristo pode levar a pessoa a agir com caridade livre e desinterassadamente, ou seja, não utilizar da miséria alheia para conquistar um aperfeiçoamento espiritual, ou até mesmo a salvação. Deixe-me explicar isso melhor.
    Certa vez, em conversa com um espírita ele me disse que nós evangélicos somos arrogantes e egoístas pois, para nós, somente nós somos salvos. Então eu lhe perguntei: “Quando você faz caridade qual é o seu objetivo?”. Ele me disse que era ajudar o próximo. Eu retruquei e disse: “Mas, onde fica a purificação do seu espírito?”. Ele me respondeu: “Ah, sim, é verdade. Quando eu ajudo alguém meu espírito vai se aperfeiçoando” (lembre-se que esse aperfeiçoamento para o espírita é a sua salvação!). Então arrematei a questão:”Eu é que sou egoísta? Quando eu faço o bem a alguém, faço porque é meu dever, pois, foi para isso que eu fui salvo por Cristo (Ef.2.10). Já você, usa da miséria alheia como um trampolim para alcançar o que você quer – a sua perfeição espiritual. E eu é que sou o egoísta?”. Não preciso nem dizer que o cara ficou sem resposta né.
    É nesse sentido que entendo que Cristo e somente Ele pode nos levar a agir assim. É por isso que digo que Fé Cristã é a fé que brota como resposta ao Evangelho puro e verdadeiro que está revelado na Bíblia, não é uma religião: é seguir a Pessoa de Cristo.
    Olivar


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