Estudos na Carta de Tiago – A Fé Cristã na Prática (parte V) – o uso da Língua

27,out,2010 por Olivar Alves Pereira

Cuidado com a língua...

Continuação do artigo postado neste link.

“Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo. Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo. Ora, se pomos freio na boca dos cavalos, para nos obedecerem, também lhes dirigimos o corpo inteiro. Observai, igualmente, os navios que, sendo tão grandes e batidos de rijos ventos, por um pequeníssimo leme são dirigidos para onde queira o impulso do timoneiro. Assim, também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas. Vede como uma fagulha põe em brasas tão grande selva! Ora, a língua é fogo; é mundo de iniqüidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno. Pois toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano; a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero. Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim. Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso? Acaso, meus irmãos, pode a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Tampouco fonte de água salgada pode dar água doce.” (Tg 3.1-12)

O uso da língua e das palavras sempre foi um assunto muito importante para o Senhor Jesus. Em Mt 12.36, o Senhor Jesus condena as palavras frívolas (inúteis), e em Mc 7.20-23 Ele nos alerta sobre o que sai do nosso coração. Sendo as palavras frutos do nosso coração, elas revelam o que vai lá dentro dele. Dessa forma, Tiago segue na mesma direção e nos mostra:

1 – O zelo com as palavras  (Tg 3.1; 2; 8-12)

Começando por aqueles que são responsáveis pelo ensino (os mestres), Tiago lembra da forte influência que o mestre exerce sobre seus discípulos. Se o que for ensinado refletir a vontade de Deus, tais ensinamentos serão bênção na vida dos discípulos; se ocorrer o contrário, grande destruição sobrevirá à vida dos discípulos e a mão de Deus pesará sobre os tais mestres.

Uma das marcas da Igreja Verdadeira é o zelo com o ensino. A prática das boas obras (aquelas que são preparadas por Deus para os crentes) só é possível mediante o ensino correto da Palavra de Deus. Exigir uma ortopraxia (prática correta) sem uma ortodoxia (doutrina correta) é um absurdo, um disparate.

Tal responsabilidade (o cuidado com as palavras), contudo, não é só dos que ensinam, mas, de todos os crentes. Os versículos 10 a 12 do texto bíblico em apreço nos mostram isso. Todos nós devemos atentar para o que sai da nossa boca. E temos um “filtro” para nossas palavras em Fl 4.8:

“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento”.

Se os nossos pensamentos estiverem tomados com tais coisas, com certeza nossas palavras espelharão isso.

2 – A necessidade de honestidade (Tg 3.2; 7-8)

Dizemos que a honestidade é necessária no sentido de admitirmos que todos nós temos problemas com a língua. Por vezes dizemos coisas que não correspondem a verdade, em outras, usamos de palavras duras com as pessoas, ou palavras tão brandas e bajuladoras que em vez de levarem as pessoas a mudarem de atitude, fazem com que sejam iludidas e permaneçam em seus pecados. Às vezes, nos omitimos e nada dizemos, enquanto deveríamos dizer algo. Enfim, são várias as formas pelas quais podemos utilizar mal as palavras e devemos ser honestos em admitir a nossa incapacidade de por nós mesmos dominarmos nossa língua. Por mais difícil que seja, precisamos ainda considerar o que Tiago nos mostra, como veremos no próximo tópico.

3 – A língua produz efeitos (Tg 3.3-12)

Usando figuras como a do leme de uma navio, do freio colocado na boca do cavalo, da fagulha que incendeia uma floresta, Tiago mostra que a língua, “pequeno órgão” (Tg 3.5) pode trazer sérias consequências para todo o nosso corpo. Coisas tão insignificantes, aparentemente, as nossas palavras podem ser uma bênção ou uma maldição para quem nos ouve.

Há um pensamento proclamado inclusive nos meios evangélicos, a saber, que as nossas palavras têm poder. Eu, particularmente, discordo. Para mim, a única palavra que tem poder é a Palavra de Deus. Mas, as minhas palavras produzem efeitos que tanto podem ser positivos quanto negativos, tanto podem ser edificantes como devastadores. É claro que Tiago mostra que isso é uma inconveniência “Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim” (Tg 3.10), e pergunta: “Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso?” (Tg 3.11), ou seja, da boca de um servo de Deus deve-se sempre esperar o que é bom, o que edifica as pessoas e agrada a Deus.

4 – Devemos manter o foco (Tg 3.10-12)

Não percamos de vista o ensinamento principal aqui: o cuidado com o nosso coração, pois, é dele que vêm as nossas palavras. Para que nossas palavras sejam bênção para as pessoas e instrumentos que glorificam a Deus, devemos manter nosso coração na Palavra de Deus. Voltando ao início desse estudo quando mencionamos os ensinos do Senhor Jesus sobre a língua e o coração, Ele nos mostra que devemos cuidar do que entra em nosso coração, pois, o que entra, inevitavelmente, sairá pela boca.

Em Pv 18.4 lemos: “Águas profundas são as palavras da boca do homem, e a fonte da sabedoria, ribeiros transbordantes”. A “profundidade” nas palavras, ou seja, palavras que revelam sabedoria  são resultado de um coração que se submete à Palavra de Deus, que a Ela se apega como sendo o seu bem maior. Então, mantenha o seu foco na Palavra. Concentrar-se no erro em vez de concentrar-se na solução nos impede de vencermos os nossos pecados. Se quisermos trazer palavras edificantes precisamos encher nosso coração com a Palavra de Deus.


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