Estudos na Carta de Tiago – A Fé Cristã na Prática (Parte IX) – virtudes indispensáveis para o crente

20,nov,2010 por Olivar Alves Pereira

Virtudes

“Sede, pois, irmãos, pacientes, até à vinda do Senhor. Eis que o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até receber as primeiras e as últimas chuvas. Sede vós também pacientes e fortalecei o vosso coração, pois a vinda do Senhor está próxima. Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para não serdes julgados. Eis que o juiz está às portas. Irmãos, tomai por modelo no sofrimento e na paciência os profetas, os quais falaram em nome do Senhor. Eis que temos por felizes os que perseveraram firmes. Tendes ouvido da paciência de Jó e vistes que fim o Senhor lhe deu; porque o Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo.” (Tg 5.7-11)

Ser crente em Cristo Jesus é muito mais do que apenas uma confissão religiosa: é seguir a Cristo e mostrar em seu viver um caráter semelhante ao de Cristo (Rm 8.28-29). Quando o Senhor Jesus proferiu um discurso ao qual os discípulos não suportaram (Jo 6.22-65), ao Se dirigir aos doze perguntando-lhes se eles queriam ir embora também, Pedro respondeu-lhe: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna”. A resposta de Pedro nos mostra que seguir a Cristo, é seguir uma pessoa (“…para quem iremos?”) e não uma filosofia. Assim sendo, neste trecho, Tiago nos mostra algumas virtudes que são indispensáveis na vida do crente. Vejamos quais são elas:

1 – Paciência (Tg 5.7)

Tiago, assim como todos daquela época, alimentava em seu coração a esperança de que Jesus voltaria naqueles dias. Da mesma forma, todos os crentes de todos os tempos e eras também alimentaram em seus corações a vinda do Senhor em seus dias. Um exemplo disso foi Lutero, que tinha plenas convicções de que Jesus voltaria em seus dias pela situação e conjuntura em que vivia o que ocasionou a Reforma Protestante. Hoje, todo crente sincero, espera que a volta de Jesus se dê nesses dias em que vivemos. Mas, o que fazer quando a volta de Jesus parece demorar tanto a acontecer, especialmente, se estamos passando por um momento de intensa luta e dor? Devemos ter paciência, disse Tiago.

Ser paciente não é fácil. Falar de paciência enquanto não sofremos é fácil; o difícil é quando estamos passando por provações. A paciência é um exercício constante do nosso coração. Mas, não é um exercício sem base ou sem sentido. Tiago nos mostra que a paciência deve ser:

  • “até à vinda do Senhor”: quando Jesus voltar, cessarão não somente as nossas dores, mas, também o exercício da paciência, pois, naquele Dia receberemos a recompensa da nossa paciência. E esta é justamente a outra característica da paciência:
  • “…até receber…”: usando o exemplo do agricultor que aguardar com paciência as primeiras chuvas, sem as quais o plantio seria inviável, e as últimas chuvas, sem as quais a colheita estaria condenada porque os grãos não se desenvolveriam da maneira esperada, Tiago nos mostra que a paciência é recompensada por Deus. E que bela recompensa teremos! Nada mais nada menos que a Glória eterna.

O exercício da paciência na vida do crente o levará ao fortalecimento de seu coração, o que podemos chamar de:

2 – Esperança (Tg 5.8)

“Sede vós também pacientes e fortalecei o vosso coração, pois a vinda do Senhor está próxima”. A paciência leva o nosso coração a ter esperança; não uma esperança qualquer, mas, sim, a esperança em Cristo. Os crentes devem se fortalecer na esperança da vinda do Senhor Jesus. Paulo diz em 2 Tm 4.8: “Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda”. O servo de Deus deve amar o Dia da vinda de Cristo, e isso quer dizer, depositar toda a sua esperança nesse dia, e viver todos os dias com a esperança de que Cristo cumprirá Sua promessa de voltar para nos buscar.

Fala-se muito de esperança em nossos dias, mas, a única esperança que realmente funciona é a que está em Cristo, é a que Cristo promove ao coração do crente. Essa esperança que Cristo coloca em nosso coração não é algo que fica somente em nossa relação com Ele, mas, também em relação aos nossos irmãos. Essa esperança que nasce do exercício da paciência gera em nós misericórdia em relação aos nossos irmãos.

3 – Misericórdia (Tg 5.9)

“irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para não serdes julgados”. O verbo “queixar” (?????????) no texto grego descreve um sentimento interior não expresso; daí tem o sentido de uma murmuração que gera um julgamento precipitado que por sua vez retorna para nós como um julgamento por parte de outros. É o que o Senhor Jesus diz em MT 7.1-5, onde Ele nos mostra que não devemos julgar temerariamente nosso irmão. Mas, porque julgamos nossos irmãos? Tiago nos mostra que é porque não temos misericórdia para com eles. Não temos paciência em suportá-los em suas fraquezas, não temos esperança em vê-los restaurados por Deus e por isso, não temos misericórdia deles porque pomos neles somente em vez de confiarmos no poder de Deus para transformá-los. O exercício da misericórdia em nossa vida revela o caráter de Deus em nós como podemos ver no v.11: “…porque o Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo”. Quando o crente se mostra misericordioso para com seus irmãos, não só mostra paciência com eles, mas, confiança no poder de Deus em transformar vidas. Dessa forma, a paciência, a esperança e a misericórdia juntas levam o crente à perseverança.

4 – Perseverança (Tg 5.10).

Como vimos no Capítulo 1 (Estudo 02 neste link), a perseverança é um assunto primordial na vida do crente. É a perseverança que mostra a firmeza da fé que o crente tem em Cristo, por isso mesmo, quando alguém que se diz crente não persevera em sua fé (e na constância dessa fé), algo muito estranho e errado está acontecendo. A perseverança na vida do crente é ao mesmo tempo o resultado da paciência, da esperança e da misericórdia, como também o que permeia todas essas características do crente. É preciso perseverar na paciência, na esperança e na misericórdia. É a perseverança que nos leva a colher os frutos da paciência, da esperança e da misericórdia. Quem não persevera na paciência, não desenvolve a esperança e muito menos exerce a misericórdia em relação aos outros.

A perseverança não é um sentimento: é uma ação. Se perseverarmos somente quando tivermos vontade então não colheremos o que Deus tem para nossa vida. Porém, se perseverarmos mesmo quando nosso coração não tiver vontade, então seremos recompensados por isso. Há quem diga que fazer algo que não se tem vontade de fazer é hipocrisia. Mas, fazer o que se deve ser feito não é hipocrisia, é responsabilidade! Hipocrisia seria não querer fazer e sair dizendo para todos “oh! Como eu amo fazer isso!”.

Tiago ainda diz sobre a perseverança: “Eis que temos por felizes os que perseveraram firmes” (versículo 11). A felicidade é fruto da perseverança. O estudante que não persevera não tem a alegria de se formar; o pai que não educa o filho conforme a Palavra, não terá o prazer de vê-lo nos caminhos do Senhor; o crente que não persevera não receberá a coroa da vida (Ap 2.10). A felicidade não é um estado de espírito ou um bônus que recebemos, mas, sim, decisão em obedecer a Deus e em permanecer em Sua presença.

Conclusão

Paciência, esperança, misericórdia e perseverança são características que devem estar presentes em sua vida se você se declara um crente em Cristo Jesus. Que o Senhor Jesus nos dê a graça de vermos essas características sempre presentes em nossa vida.


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